BNDES amplia financiamentos, mas aumenta juros

Portal Terra

TERRA - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, anunciou nesta terça-feira mudança nas regras do Programa Especial de Crédito (PEC), destinado a capital de giro, e alterações nas atuais condições de financiamento. Apesar de permitir que as empresas possam ampliar seus limites de financiamento durante o período de crise financeira mundial, o banco de fomento aumentou algumas das taxas de juros a serem cobradas nas operações.

As medidas anunciadas nesta terça-feira ampliam para 100% os financiamentos para a compra de bens de capital; ampliam o prazo de pagamento e o limite disponibilizado por empresas; aumentam a possibilidade de financiamento para até 80% para compra de caminhões e ônibus usados.

Contudo, em média, os juros dos créditos do BNDES terão alta de 0,17 ponto percentual, porque a maioria das novas linhas passou a ser atrelada à TJTN (Taxa de Juros do Tesouro Nacional), de 8,25% ao ano. Antes, estas linhas eram atreladas à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, hoje em 6,25%).

A justificativa das altas é a necessidade de cobrir o empréstimo de R$ 100 bilhões concedido pelo Tesouro para suas linhas de crédito.

- (A medida) vai ajudar as empresas a terem um período de carência no ano mais difícil, que é 2009 - afirmou Coutinho. Mesmo traçando um panorama melhor para o Brasil no início deste ano, inclusive com sinais de que as turbulências "pararam de piorar", ele explicou que é preciso "apoiar a economia e auxiliar na concessão de crédito com a expectativa que possamos ajudar a economia a atravessar o fundo do poço".

Para bens de capital, por exemplo, o BNDES irá disponibilizar recursos para financiar a compra de 100% de bens de capital da linha Finame (máquinas e equipamentos), com juros de TJLP mais 0,9% para 80% do financiamento e com custo de 11,25% para a parcela adicional dos 20% restantes.

- Se considerar que a empresa pode financiar 100%, ainda que com uma taxa mais cara, ela pode economizar capital de giro, que tem um custo muito alto - disse.

- Estamos repassando (os novos juros) de uma maneira muito racional, distribuída, tendo como lógica ampliar o leasing, (...) trazer liquidez. Quando estamos oferecendo os 20% suplementares a uma taxa de 11,25%, isso é muito mais barato que o mercado iria cobrar - justificou Coutinho.

Para leasing de bens de capital novos e usados, o banco de fomento poderá financiar até 100%, com taxas de 13,75% e 11,75%, respectivamente. Anteriormente, os financiamentos dessa categoria eram de no máximo 60% e estavam vinculados à TJLP. Em todos os casos, além do custo financeiro do BNDES, incide o spread cobrado pelo agente financeiro.

Nas linhas destinadas a capital de giro por meio do PEC, o BNDES ampliou de 24 para 36 meses o prazo total para o pagamento, com 12 meses de carência e 24 meses para amortização, além de ter aumentado de R$ 50 milhões para R$ 200 milhões o limite que pode ser disponibilizado por empresa. Para esta modalidade, as taxas cobradas deverão cair de 16,55% para 14,5% ao ano.

Houve também o anúncio de redução de 14,25% para 13,75% no custo da linha de empréstimos-ponte para projetos de infra-estrutura.

Atualmente com R$ 6 bilhões de volume atual, a linha do Programa Especial de Crédito pode ter seus valores ampliados, caso o BNDES observe necessidade disso.

- Se houver demanda suplementar podemos expandi-la. Se a situação continuar difícil e escassa, podemos ampliar (os valores). Hoje temos R$ 1 bilhão operados. Não sentimos a necessidade de ampliar agora - afirmou Luciano Coutinho.

No caso de financiamento à exportação na fase de pré-embarque, o prazo das operações foi estendido de 18 para 24 meses e foi cancelado o limite máximo de R$ 150 milhões por beneficiária.