Estudantes de cursos técnicos mantêm otimismo na crise

Ludmilla Totinick e Luisa Girão, Jornal do Brasil

RIO - Se já se tornou um verdadeiro fantasma para o contingente de profissionais dos setores mais afetados pelo desemprego, a crise não tem sido suficiente para assustar os estudantes que, hoje, frequentam os cursos técnicos e de formação profissional do chamado Sistema S. Um dos mais procurados no Rio de Janeiro, o de Formação Profissional de Manutenção Automotiva da Firjan/Sesi tem verificado um aumento de até 30% da procura no último ano.

Embora o setor automotivo tenha se consolidado como um dos que mais têm demitido nos últimos meses no Brasil e no mundo, o coordenador do curso do Sesi, Ed Wilson Bezerra, faz questão de afirmar, convicto, de que os alunos encontram-se na contramão da crise.

Temos profissionais que ainda nem concluíram o curso e já estão com propostas para trabalhar no setor automotivo. De 90% a 100% de nossos alunos saem empregados afirma Ed Wilson.

Esse é o caso de Bruno Cesar, de 16 anos. Egresso da área de informática, já recebeu cinco propostas, mas não aceitou nenhuma, por enquanto. Quer priorizar os estudos no curso do Sesi, justifica.

Estava trabalhando com informática porque todos diziam que era a profissão do futuro, mas resolvi seguir a minha vontade. Meu sonho é montar uma oficina afirmou Bruno.

Outro que já recebeu sete ofertas é Thiago de Lira, de 17 anos. Como todo menino, sonhava jogar futebol. Federado por um clube, terminou por desistir. O motivo? Concluiu que jogar futebol não lhe daria futuro. Então, seguiu a outra paixão:

Embaixo de minha casa tinha uma oficina. Sempre passava por lá para aprender e mexer naqueles motores. Resolvi abandonar o futubel disse Thiago.

Já Bruno Amaral, de 23 anos, tentou vários empregos antes de chegar à conclusão sobre o que realmente queria.

Trabalhei com filmagem, transporte, eventos, entre outras coisas relata. Atualmente, estou no exército mas, assim que terminar meu contrato, vou investir neste setor. Penso até em fazer administração e, quem sabe, uma pós-graduação.

Este é o quarto curso que faz. O primeiro foi por meio do exército, que mantém um projeto para inserir militares no mercado de trabalho.

Sem medo

Apesar dos números tenebrosos do setor automotivo as 10 maiores montadoras do mundo anunciaram até agora mais de 35 mil cortes , os alunos demonstram confiança na imunidade de suas carreiras à crise.

A crise está afetando a produção. O que estamos aprendendo aqui é a reparar os veículos. Enquanto houver carros, eles vão precisar de ajustes observa Amaral.

Seu colega, Bruno Cesar, demonstra confiança não só no caráter passageiro da crise, como também no remédio aplicado pelo governo para tentar levantar o setor.

Acho que o setor não vai ser muito afetado, até porque houve um aumento de vendas com a redução do IPI de carros. Essa crise é passageira vaticina.

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