Transpetro mantem política de importação do aço e defende menor preço

Natalia Pacheco, Jornal do Brasil

RIO - A Transpetro, subsidiária de transportes da Petrobras, anunciou nesta sexta-feira que não vai ceder às pressões da siderúrgica Usiminas para recuar na compra de aço de usinas chinesas. O presidente da estatal, Sérgio Machado, afirmou que vai continuar a promover licitações abertas a empresas estrangeiras para conseguir o melhor preço para o aço usado na construção de petroleiros. A subsidiária da Petrobras reagiu ao comunicado da siderúrgica, que pretende, com o apoio do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), convencer o governo brasileiro a adotar medidas protecionistas contra o insumo estrangeiro.

A estatal brasileira argumenta que a proposta da siderúrgica para que o governo adote preços mínimos nas concorrências internacionais tem como único objetivo proteger a empresa.

O que o informe publicitário não diz é que isto tem um nome: monopólio privado afirma o Machado. O que a Usiminas defende é impor preços e condições de importação do aço. A siderúrgica quer uma reserva de mercado, na contramão da linguagem mundial da competitividade.

A siderúrgica nipo-brasileira criticou a negociação de preços com fornecedores de todo o mundo. A empresa afirmou que há práticas desleais de comércio no processo de abertura de licitação internacional para a compra do aço, que poderá gerar impactos negativos na cadeira siderúrgica brasileira, principalmente no nível de desemprego do país.

Preço muito acima do mercado

A estatal explicou que a siderúrgica apresentou preço 60% maior do que as outras companhias que participaram da licitação para a compra de 42 mil toneladas do insumo para a construção de navios do Programa de Expansão e Modernização da Frota (Promef). A empresa nipo-brasileira foi a 11ª colocada entre os 11 concorrentes da licitação, realizada no mês passado. A direção da siderúrgica insinuou que a Transpetro estaria impondo preços chineses. O problema deste raciocínio é que a Usiminas não está com uma oferta acima somente dos chineses, mas muito acima dos preços praticados no mundo todo.

Onze empresas de sete países diferentes participaram da concorrência, como Brasil, China, Coréia do Sul, Indonésia, Macedônia, Romênia e Ucrânia. Coincidentemente o único grande produtor mundial que preferiu não participar da tomada de preços foi o Japão, cuja principal siderúrgica, a Nippon Steel, está ampliando a sua participação no controle societário da Usiminas.

A Transpetro também ressaltou que sempre que a Usiminas ofereceu preços competitivos, a estatal encomendou aço à companhia.

Das quatro encomendas já feitas no âmbito do Promef, duas foram realizadas com a Usiminas diz o comunicado da subsidiária da Petrobras.

Olho grande

O aço corresponde a 30% do custo de um navio. Segundo a Transpetro, aceitar as condições monopolistas da Usiminas é o mesmo que arrasar a indústria naval brasileira, que está em nascimento.

O nosso compromisso é gerar empregos e contribuir para a riqueza do Brasil e não reduzir a competitividade de toda a cadeia industrial destaca a estatal.

As encomendas do Promef, segundo a Transpetro, transformou o Brasil no quinto país no ranking mundial de encomendas de novos petroleiros. A estatal vai encomendar 680 mil toneladas de aço, sendo 440 mil para os 26 navios da primeira fase do Promef e 240 mil para os 23 da segunda etapa do programa.

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