Negócios ignoram notícias ruins

SÃO PAULO, 6 de fevereiro de 2009 - Apesar dos números ruins sobre a economia norte-americana e europeia, os investidores mantiveram o bom humor nesta sexta-feira, esperançosos quanto a aprovação, pelo Senado, do pacote de resgate econômico norte-americano. Somado a isto, o plano de ajuda ao setor bancário, que deve sair na segunda-feira, também animaram os negócios.

Os investidores ignoraram o fechamento de 596 mil postos de trabalho fechados em janeiro, assim como a taxa de desemprego de 7,6%, ambos bem acima do projetado pelos analistas. A notícia não surtiu efeito negativo entre os investidores, já que os dados aumentam as pressões quanto à aprovação do pacote de resgate econômico, proposto pela equipe de Barack Obama. A Câmara dos Representantes aprovou o plano, com o montante de US$ 819 bilhões. Mas a proposta ainda precisa passar pelo Senado.

A perspetiva de que as economias estão se reaquecendo pelo lado da China também traz alento aos negócios. No mercado de commodities, os metais se recuperam influenciados pela expectativa de que comprará minério.

Internamente os investidores monitoraram pela manhã o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que subiu 0,48% em janeiro, acima da taxa registrada no mês de dezembro (0,28%). O resultado superou o teto das estimativas dos analistas, de 0,35% a 0,47%. A mediana era de 0,43%.

Já o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), depois de registrar deflação de quase 0,5% em dezembro, voltou a apresentar inflação, com alta de 0,01%, em janeiro. O resultado ficou dentro das projeções dos analistas, que variavam de -0,42% a +0,15%, mas acima da mediana de -0,15%.

Analistas explicam que apesar da elevação registrada tanto no IPCA como no IGP-DI, o cenário ainda proporciona condições para o Banco Central (BC) dar continuidade no afrouxamento da política monetária, pois, não se verifica pressão de demanda e tampouco repasse cambial. Por isso houve espaço para a curva de juros reduzir os prêmios dos contratos.

Mesmo com os dados de inflação acima das estimativas do mercado, as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) sinalizaram queda durante todo o dia diante das expectativas de novas reduções da taxa Selic nos próximos meses. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, passou de 11,05% para 10,99%.

No mercado acionário, a bolsa brasileira seguiu a tendência otimista do mercado e encerrou o dia com forte valorização de 4,01%, aos 42.755 pontos, no maior patamar desde 3 de outubro de 2008. O giro financeiro somou R$ 5,36 bilhões.

O mesmo para o dólar, que sob a expectativa de uma resposta rápida para o plano de Obama, fechou em baixa de 1,62%, vendido a R$ 2,251.

(Redação - InvestNews)

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