Momento não é de lamentar equívocos

Ludmilla Totinick e Gabriel Costa, Jornal do Brasil

RIO - Não há dúvida, entre os especialistas ouvidos pelo JB, de que a postura do governo de esperar para agir já custou caro ao país. As próprias medidas tomadas daqui em diante, ressaltam, pesarão mais nos cofres públicos, uma vez que já houve queda da arrecadação. O congelamento de R$ 37,2 bilhões do Orçamento Geral da União até março, segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, visa justamente permitir que o governo repense os seus gastos. O momento, no entanto, não é de lamentar os equívocos cometidos ou, mais especificamente, a falta de acertos.

O importante não é discutir os fundamentos econômicos, mas sim as medidas que poderiam ser adotadas, pois eles permitiriam que as soluções fossem muito mais ousadas. O Brasil já saiu perdendo. Perdeu renda, empregos ressalta o professor de Economia Anselmo Luís dos Santos, da Unicamp. No consumo há um grau de incertezas que leva a um pessimismo enorme com pouca demanda e pouco crédito disponível. Então, o que sobra é aumentar o investimento público.

Raul Velloso destaca que o momento é de reestruturação do sistema financeiro mundial, e que economias de todo o planeta ainda tentam definir como substituirão recursos que antes vinham do setor privado.

Os acertos do governo

Embora tenham pecado pela lentidão, as autoridades brasileiras também obtiveram êxito ao reagir a certos efeitos da crise. O governo acertou, por exemplo, na redução de tributos indiretos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o direto Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), dizem os especialistas. O impacto da mudança do IRPF, no entanto, é pouco expressivo e consistente, avalia Reinaldo Gonçalves, professor de economia da UFRJ.

Gonçalves acredita que o governo tem se restringido a um conjunto de medidas conta-gotas e de menor resistência, principalmente na área operacional da economia.

Já sofremos com a queda brutal do nível de investimentos; o desemprego já atingiu mais de 600 mil pessoas só no mês de dezembro; houve queda na arrecadação; flexibilização do mercado de trabalho; tivemos déficit na balança comercial e no balanço de conta corrente, além da explosão do dólar desabafa o professor.