Ritmo de corte da Selic gera dúvidas

SÃO PAULO, 30 de janeiro de 2009 - Que a taxa Selic tende a cair nos próximos meses parece que não há dúvidas entre os agentes financeiros, no entanto, resta saber o ritmo e o tamanho destes cortes. Diante destas dúvidas as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) tiveram uma sexta-feira bastante volátil na BM&FBovespa. Depois de apontar alta na abertura dos negócios, os vencimentos mais longos voltaram a perder prêmio no decorrer do dia. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, caiu de 11,27% para 11,16% ao ano.

De acordo com um operador de renda fixa que prefere não se identificar, a curva de juros futuros registra constante movimento de baixa desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e como a expectativa continua sendo de novas reduções na taxa Selic nos próximos meses a tendência ainda é de queda. "No entanto, com menor intensidade, pois, os vencimentos dos contratos de DI já embutem a possibilidade de redução dos juros básico no primeiro semestre do ano", lembra o especialista. Para este profissional, o colegiado do Banco Central deve diminuir o passo e ajustar a Selic em 0,75 ponto percentual nas próximas reuniões.

Hoje foi divulgado mais um dado que reforça as apostas de novos cortes da taxa Selic, atualmente em 12,75% ao ano. A percepção de aumento da demanda contribuiu para que a confiança dos industriais apresentasse discreta melhora em janeiro, se comparado com o cenário visto em dezembro, entretanto, a expectativa de uma situação ruim no futuro continua forte entre os empresários.

A Sondagem da Indústria de Transformação divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que em janeiro, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) ficou praticamente estável face dezembro, ao passar de 74,7 para 75,1 pontos.

Para Fabio Colombo, administrador de investimentos, o mercado deve continuar volátil no próximo mês decorrente da piora nas expectativas de crescimento mundial. Em fevereiro, as atenções estarão voltadas principalmente para os dados reais e previsões sobre a duração da recessão nos EUA, Europa e Japão.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)