População vive "sonho americano ao avesso", diz Obama

SÃO PAULO, 30 de janeiro de 2009 - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou hoje que seus compatriotas estão vivendo uma "catástrofe" econômica e um "sonho americano ao avesso", após um forte recuo do crescimento "que mostra a urgência do plano de recuperação". "É uma catástrofe para as famílias de trabalhadores americanos", afirmou Obama após a publicação dos novos números do Produto Interno Bruto (PIB), que apontaram recuo de 3,8% no crescimento econômico da nação.

"A recessão está se agravando, a urgência causada pela crise econômica é cada vez maior. Atingimos ontem (29) um novo patamar, com o maior número já registrado de americanos que recebem seguro-desemprego. Cada dia que passa parece estar trazendo sua parcela de demissões, de empregos perdidos e de vidas abaladas", disse Obama, acrescentando que foram perdidos 2,6 milhões de empregos em 2008, e 2,8 milhões de pessoas que queriam trabalhar em tempo integral tiveram de se contentar com um trabalho em tempo parcial.

O recuo do PIB dos Estados Unidos no quarto trimestre de 2008 foi o mais alto desde o primeiro trimestre de 1982 (-6,4%), segundo dados oficiais.

Contudo, o PIB caiu menos que o previsto, já que os analistas esperavam uma queda de 5,4%. Trata-se, porém, do segundo trimestre consecutivo de baixa, algo que não acontecia desde 1990-1991.

"Os americanos precisam que atuemos agora", insistiu Obama, que está se esforçando para convencer o Congresso a aprovar um gigantesco plano de recuperação econômica para salvar ou criar 3 a 4 milhões de empregos.

A Câmara dos Representantes aprovou na quarta-feira uma primeira versão deste plano, avaliado em US$ 819 bilhões divididos em cortes de impostos, investimentos em obras públicas, ajudas aos governos locais e medidas sociais.

O Senado deve examinar sua própria versão na próxima semana. As duas câmaras do Congresso, onde os democratas são majoritários, deverão em seguida chegar a um acordo sobre um texto final. Obama quer o texto na sua mesa até do dia 16 de fevereiro.

"Espero que possamos continuar reforçando o plano no Senado", disse Obama, deixando implicitamente a porta aberta à negociação com seus adversários republicanos. Todos os republicanos da Câmara votaram contra o plano na quarta-feira, apesar dos esforços empreendidos pelo presidente para convencê-los.

"O que não podemos fazer é ficar mais tempo sem agir. Os americanos esperam de nós uma ação, e é justamente isso que pretendo fazer como presidente dos Estados Unidos", afirmou.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)