Merkel quer criação de novo conselho econômico

Jornal do Brasil

RIO - A chanceler da Alemanha, ngela Merkel, sugeriu na sexta-feira a criação de um Conselho Econômico da Organização das Nações Unidas (ONU), semelhante ao Conselho de Segurança. Segundo Merkel, que discursou no terceiro dia do Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos, o Conselho serviria de bússola para ajudar o mundo a evitar crises como a de hoje.

Nós precisamos de uma bússola que nos mostre claramente onde ir, para evitar o mesmo tipo de crise que tivemos disse Merkel.

Para a chanceler, a criação do órgão seria uma forma de reunir princípios em comum para a construção de uma nova ordem econômica global.

O que é essencial, neste momento, é restaurar a confiança. Sem ela, as empresas não investirão, os bancos não concederão empréstimos e os consumidores não gastarão nenhum centavo em consumo. Sem confiança não vamos retomar o caminho do crescimento econômico afirmou a chanceler.

A idéia de criação de um organismo internacional de supervisão financeira também foi defendida pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. A proposta deverá ser discutida na próxima reunião do G-20 sobre a crise econômica, que acontece em abril, em Londres, disse Brown.

Merkel ainda criticou a ajuda bilionária que o governo dos EUA deu às montadoras de automóveis, que chegaram a ficar à beira da falência.

Estou muito preocupada de ver subsídios sendo injetados na indústria automobilística americana. Eles não deveriam durar muito tempo. Isso poderia levar a distorções e constituir protecionismo disse.

Um freqüentador regular das reuniões em Davos, o diretor da firma de investimentos Carlyle Group, de Washington, David Rubenstein, disse que acredita que a busca pelos culpados da crise é uma questão-chave no Fórum deste ano. Rubenstein, que dois anos atrás afirmava em Davos que a regulação sobre negócios alavancados era muito robusta, diz que a responsabilidade não deve ser jogada apenas sobre a indústria em que trabalha.

Há 6 bilhões de pessoas na face da terra, e provavelmente 5 bilhões participaram do que aconteceu. Todos participaram de algum jeito ou forma argumentou Rubenstein.

Ásia

O primeiro-ministro japonês, prometeu US$ 17 bilhões em auxílio de desenvolvimento para estimular o crescimento regional de países asiáticos. O anúncio foi feito em discurso no Fórum de Davos.

O secretário de gabinete Osamu Sakashita disse que os recursos serão desembolsados da forma mais eficiente possível. Os detalhes do pacote serão determinados em uma reunião em Chiang Mai, Tailândia, que acontecerá em meados deste ano.

O aumento no auxílio é o inverso das austeras medidas fiscais do primeiro-ministro anterior, Junichiro Koizumi, que em 2006 tinha o objetivo de reduzir a ajuda externa entre 2% e 4% por ano como parte do plano de equilibrar o orçamento até 2011. Em setembro, Aso ofereceu um empréstimo de US$ 100 bilhões para o Fundo Monetário Internacional (FMI), para ajudar nos esforços da entidade em aliviar a crise financeira.

Aso, o terceiro premier do Japão a comparecer à reunião anual em Davos, anunciou também os planos do país para a criação de uma meta a médio prazo para as emissões da carbono em junho.

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, teve recepção de herói ontem por parte de alguns conterrâneos em seu país, e uma resposta calada de outros, depois de abandonar o Fórum em Davos. Erdogan deixou o evento após uma séria discussão sobre a situação em Gaza com o presidente de Israel, Shimon Peres.