Após 8,3 mil demissões, setor de máquinas quer regime especial

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REUTERS - Depois de fechar milhares de postos de trabalho entre novembro e dezembro após 36 meses consecutivos de crescimento constante no nível de emprego, o setor de máquinas e equipamentos vai pedir aos governos federal e estadual a criação de um regime especial de tributos para evitar que o nível de demissões se amplie.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) anunciou nesta sexta-feira a assinatura de um protocolo de entendimentos com a CUT e a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM) para levar o pleito do setor aos governos.

O segmento, que faturou perto de 80 bilhões de reais em 2008, emprega 250 mil trabalhadores diretos, tendo gerado 50 mil empregos nos últimos cinco anos.

- Não quero nem pensar em plano B. Temos que tomar uma atitude cirúrgica e rápida - afirmou Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, em encontro com a imprensa referindo-se ao receio do setor sobre aumento dos cortes de postos de trabalho.

Segundo ele, o comitê interno da associação detectou uma queda entre 30 e 40 por cento no volume médio de pedidos da indústria em relação a setembro do ano passado.

A proposta não se trata de renúncia fiscal, afirma a Abimaq, mas de antecipação de tributos que seriam creditados ao longo do tempo. No caso do ICMS, por exemplo, ele é creditado em 48 meses e a indústria gostaria que, nesse regime especial, ele fosse creditado à vista.

O setor pede que sejam incluídos no regime especial de crédito os tributos ICMS, PIS e Cofins e IPI, ao passo que, nas compras de insumos, eles sejam isentos desses impostos.

- Com isso, vamos poder conceder algo como 20 por cento de desconto no preço dos equipamentos - o que poderia estimular um aumento no número de pedidos, afirmou Aubert. O regime funcionaria por 4 meses.

CUT QUER MANUTENÇÃO DE EMPREGO COMO PREMISSA

O presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, afirmou que a central decidiu participar desse acordo, e não dos demais negociados até agora entre sindicatos e empresários, porque "não podíamos apresentar propostas que não tivessem como premissa a manutenção do emprego e renda".

Segundo ele, com o regime especial de tributos e a ampliação da oferta de crédito, "podemos construir uma agenda positiva para lidar com a crise".