Amorim pede lobby contra protecionismo americano

SÃO PAULO, 30 de janeiro de 2009 - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu hoje (30) que todos os países façam um lobby sobre os parlamentares dos Estados Unidos para que não sejam aprovadas novas medidas protecionistas. ´O que todos temos que fazer é um certo lobby no Congresso americano não em favor desse ou daquele, mas em favor do comércio multilateral´, afirmou Amorim, em coletiva de imprensa durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Amorim havia sido questionado sobre medida, incluída pela Câmara dos Estados Unidos no pacote de estímulo econômico do presidente Barack Obama, exigindo que o ferro, o aço e os produtos manufaturados utilizados nos projetos do pacote do novo governo sejam produzidos nos Estados Unidos. O pacote deve ser votado na próxima semana pelo Senado.

´Evidentemente isso não é um bom sinal. Isso tem que ser aprovado pelo Senado e também pelo presidente Obama, que terá a oportunidade de vetar´, comentou Amorim, frisando que tal medida seria contrária à disposição, manifestada por Obama em telefonema ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de concluir a atual rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). A Rodada Doha tenta justamente acabar com os subsídios oferecidos por norte-americanos e europeus a seus produtores, o que distorce o comércio internacional.

´O problema do protecionismo é que ele talvez seja a doença mais contagiosa que existe. Se ele vingar nos Estados Unidos ele vai vingar em toda parte do mundo´, comentou Amorim.

O recrudescimento de medidas protecionistas em reação à crise financeira internacional tem sido criticado por praticamente todos os líderes que estão em Davos. Em discurso nesta sexta-feira, a chanceler alemã ngela Merkel chegou a criticar pontualmente os subsídios concedidos pelo governo norte-americano à indústria automobilística e alertou para os riscos caso tais práticas se prolonguem.

´Obviamente os momentos de dificuldade econômica geram temor, mas são também os momentos em que essas medidas são mais necessárias´, avaliou Amorim. ´Como a esperança venceu o medo, é preciso que a coragem vença o medo´, acrescentou, em referência ao discurso de posse de Barack Obama.

As informações são da Agência Brasil.

(Redação - InvestNews)