Índice cai quase 1,5% após quatro altas seguidas

SÃO PAULO, 29 de janeiro de 2009 - O movimento de realização de lucros, após quatro altas consecutivas, prevaleceu nesta quinta-feira, tanto no Brasil quanto no restante das bolsas de valores mundo afora. Ao final dos negócios, o índice acionário da BM&FBovespa encerrou o dia em queda de 1,46%, aos 39.638 pontos. O giro financeiro somou R$ 2,83 bilhões.

A divulgação de balanços corporativos trimestrais e indicadores econômicos norte-americanos também contribuíram para a queda. "É claro que o fluxo de notícias desta quinta-feira também ajudou na realização de lucros. Mas o conjunto de informações positivas está prevalecendo sobre as notícias negativas, já que no acumulado do ano, o Ibovespa registra valorização", diz Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual Corretora.

Dentre os resultados trimestrais mais relevantes esteve o da Ford. A montadora norte-americana anunciou prejuízo líquido de US$ 14,6 bilhões em 2008, o maior da história de 105 anos da companhia. Segundo comunicado enviado ao mercado pela Ford, a redução nos ganhos ocorreu em virtude do arrefecimento na demanda por automóveis. Além dela, outras companhias também registraram prejuízo no período: Toshiba, Sony, Shell, 3M.

A este cenário somou-se a divulgação de indicadores econômicos norte-americanos negativos. Os pedidos de bens duráveis recuaram 2,6% em dezembro, completando o quinto mês consecutivo de queda. Além disso, os novos pedidos semanais de auxílio-desemprego voltaram a subir na semana encerrada dia 24 de janeiro, atingindo 588 mil solicitações.

Nem mesmo a aprovação, pela Câmara de Representantes, do pacote de resgate econômico no valor de US$ 819 bilhões animou os investidores. O montante inicial do plano apresentado pelos democratas era de US$ 825 bilhões, mas o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, sigla em inglês) acabou estimando o custo total do projeto em US$ 816 bilhões de dólares, além de US$ 3 bilhões para financiar projetos de transporte público.

"A preocupação do governo é restabelecer a crise de confiança que se abateu sobre o mercado financeiro norte-americano. Os títulos podres, ou então ativos tóxicos, aqueles com baixíssima possibilidade de ser honrado/liquidado pela instituição emissora, estão sendo absorvidos pelo governo, que não pode deixar todos esses títulos soltos no seu orçamento. Daí a notícia da criação de um banco para reunir esses títulos, que será implementado com a aprovação do pacote (de US$ 819 bilhões)", afirma Luis Antonio Fernandes Silva, professor do curso de Administração das Faculdades Integradas Rio Branco.

(Vanessa Correia - InvestNews)