Em dia de balanços, bolsa cai e dólar sobe

SÃO PAULO, 29 de janeiro de 2009 - Os investidores acompanharam hoje mais um dia de divulgação de balanços corporativos trimestrais e indicadores econômicos norte-americanos.

Dentre os resultados trimestrais mais relevantes esteve o da Ford. A montadora norte-americana anunciou prejuízo líquido de US$ 14,6 bilhões em 2008, o maior da história de 105 anos da companhia. Segundo comunicado enviado ao mercado pela Ford, a redução nos ganhos ocorreu em virtude do arrefecimento na demanda por automóveis. Além dela, outras companhias também registraram prejuízo no período: Toshiba, Sony, Shell, 3M.

A este cenário somou-se a divulgação de indicadores econômicos norte-americanos negativos. Os pedidos de bens duráveis recuaram 2,6% em dezembro, completando o quinto mês consecutivo de queda. Além disso, os novos pedidos semanais de auxílio-desemprego voltaram a subir na semana encerrada dia 24 de janeiro, atingindo 588 mil solicitações.

Além disso, as vendas de imóveis novos nos Estados Unidos recuaram 14,7% em dezembro quando comparado com o mês anterior, o pior nível desde que o levantamento começou a ser feito pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos em 1963. De acordo com o órgão, as vendas de novas residências atingiram uma taxa anualizada de 331 mil em dezembro, ante 388 mil moradias, registradas em novembro (dado revisado).

Nem mesmo a aprovação, pela Câmara de Representantes, do pacote de resgate econômico no valor de US$ 819 bilhões animou os investidores. O montante inicial do plano apresentado pelos democratas era de US$ 825 bilhões, mas o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, sigla em inglês) acabou estimando o custo total do projeto em US$ 816 bilhões de dólares, além de US$ 3 bilhões para financiar projetos de transporte público.

Por aqui, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada hoje pelo Banco Central (BC) veio em um tom mais ameno e confirma a expectativa do mercado de que novas reduções da taxa Selic virão nos próximos meses, ressalta Marco Gazel, sócio da M2 Investimentos.

No entanto, a curva de juros futuros ignorou o tom mais tranquilo da ata e apontou alta. Os contratos de curto prazo subiram discretamente, pois, continua precificando cortes na taxa Selic para os próximos meses. Já no longo prazo as taxas avançaram com mais intensidade decorrente das incertezas sobre o rumo da economia mundial que afeta o humor dos investidores. O contrato de DI de janeiro de 2010, o mais líquido, subiu de 11,20% para 11,27% ao ano.

No mercado acionário, o movimento de realização de lucros, após quatro altas consecutivas, prevaleceu nesta quinta-feira, tanto no Brasil quanto no restante das bolsas de valores mundo afora. Ao final dos negócios, o índice da BM&FBovespa encerrou o dia em queda de 1,46%, aos 39.638 pontos. O giro financeiro somou R$ 2,83 bilhões.

Já o rali pela formação da taxa Ptax (média oficial do dólar) garantiu a instabilidade do pregão. O dólar chegou a recuar 1%, ao patamar de R$ 2,25, mas acabou fechando o dia em alta de 0,92%, vendido a R$ 2,296.

Em relatório, a corretora NGO destaca que a moeda norte-americana parece tendente a retornar a parâmetros de preços mais compatíveis com a realidade do quadro brasileiro frente a crise internacional, em meio ao enfraquecimento dos movimentos especulativos que vêm elevando as cotações desde agosto do ano passado.

(Redação - InvestNews)