Índice despenca mais de 4% com aversão a risco

SÃO PAULO, 20 de janeiro de 2009 - A aversão ao risco voltou a prevalecer entre os investidores nesta terça-feira, principalmente em função de novas notícias envolvendo o setor financeiro. O movimento - que se sobrepôs a posse de Barack Obama à presidência dos EUA - levou o índice acionário da BM&FBovespa a zerar os ganhos registrados neste ano. Ao final dos negócios, a bolsa brasileira marcou desvalorização de 4,01%, aos 37.272 pontos. O giro financeiro somou R$ 2,86 bilhões.

Obama é 44º presidente a comandar a maior economia mundial. Em seu primeiro discurso como presidente dos EUA, ele enfatizou a necessidade de uma nova mentalidade para o País e incentivou as mudanças. "A pergunta que devemos fazer hoje não é se nosso governo é muito pequeno ou muito grande, mas se pode trabalhar".

Quanto a crise, ele avaliou que a "economia está enfraquecida como consequência de ganância e irresponsabilidade de alguns", mas relatou que a economia do país será reconstruída pouco a pouco. O presidente empossado não trouxe detalhes do pacote de salvamento econômico, avaliado em US$ 825 bilhões, conforme alguns agentes de mercado previam. "Esperava que o discurso trouxesse certo alívio as notícias de hoje, o que não aconteceu", disse um operador.

Mas o que azedou o humor dos investidores foi a divulgação de novas notícias envolvendo o setor financeiro. A imprensa internacional noticiou que o Bank of America (BofA) deve cortar cerca de 4 mil postos de trabalho, principalmente no segmento de mercado de capitais em função da compra do Merrill Lynch. O banco norte-americano já havia anunciado, em dezembro último, o corte de 53 mil vagas nos próximos anos.

Além disso, a administradora de recursos State Street reportou lucro líquido de US$ 65 milhões no 4º trimestre de 2008, volume 72,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. "Refletindo a falta de liquidez atual no mercado, as perdas na carteira de investimento da State Street elevaram-se para US$ 6,3 bilhões em 31 de dezembro de 2008, acima dos US$ 3 bilhões registrados em 30 de setembro de 2008", afirmou comunicado da instituição.

Por aqui, o destaque interno desta terça-feira ficou por conta do acordo fechado entre a Aracruz e os bancos credores - representando mais de 80% da dívida oriunda de operações com derivativos. Além disso, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) comunicou que adquiriu 28,03% do capital social votante da Aracruz. O negócio é estimado em R$ 2,71 bilhões. Os papéis preferenciais série B da Aracruz despencaram 11,32%, enquanto que os papéis preferenciais da VCP caíram 3,65%.

Também hoje teve início a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá a próxima taxa básica de juros Selic. As apostas de corte variam entre 0,50 ponto percentual (p.p) e 1 p.p, com a maioria estimando redução de 0,75 p.p.

(Vanessa Correia - InvestNews)

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