Aversão ao risco puxa dólar a R$ 2,371

SÃO PAULO, 20 de janeiro de 2009 - Apesar das perspectivas positivas com a posse de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, o clima de aversão ao risco e a voltilidade se mantiveram presente nesta terça-feira nos mercados globais. Por aqui, o dólar terminou o dia vendido a R$ 2,371, com valorização de 1,67%.

As incertezas em relação ao futuro da saúde econômica mundial também influenciaram as bolsas de valores e as commodities, que operaram em queda hoje diante da perspectiva de menor demanda. As matérias-primas mais baratas reforçam as preocupações acerca da balança comercial brasileira, que já acumula déficit de US$ 390 milhões neste início de ano.

Para Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, dificilmente o câmbio caíra muito abaixo do patamar de R$ 2,30 no curto prazo, dado o cenário incerto para a economia norte-americana e as expectativas de menor crescimento mundial, em meio as dificuldades em rolar empréstimos privados no mercado de crédito internacional e a mudança do perfil do fluxo comercial para eventuais déficits.

"Os planos de ajuda e pacotes de estímulo deverão levar ainda algum tempo para que os esforços recentes atinjam efetivamente os setores mais produtivos e problemáticos", destacou Miriam. Segundo ela, assim como o plano de Obama, a agilidade com que a proposta do presidente irá transitar pelo Senado norte-americano poderá definir o ritmo com que a barreira dos R$ 2,30 deverá se ajustar por aqui.

Em seu primeiro discurso como presidente, Obama enfatizou a necessidade de uma nova mentalidade para o país e incentivou as mudanças. "A pergunta que devemos fazer hoje não é se nosso governo é muito pequeno ou muito grande, mas se pode trabalhar", disse.

Na tentativa de conter o avanço do dólar, o Banco Central (BC) voltou a realizar leilão de swap cambial e colocou mais US$ 2,4 bilhões, para dar continuidade à rolagem do vencimento de US$ 10,2 bilhões do dia 2 de fevereiro. Ontem, a autoridade monetária já havia vendido US$ 2,5 bilhões destes contratos.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais