Citi deve vender mais ativos após acordo com Morgan Stanley

REUTERS

NOVA YORK - O Citigroup aceitou fundir sua corretora Smith Barney com a unidade de gestão de fortunas do Morgan Stanley e deve fazer mais vendas de ativos para levantar capital e isolar ativos tóxicos do restante do banco.

O Citigroup, que já foi o maior banco do mundo, pode anunciar planos em 22 de janeiro para formalmente eliminar o conceito de "supermercado financeiro" que já foi capitaneado pelo ex-presidente-executivo Sanford "Sandy" Weill, mas que agora não é apoiado pelo atual presidente Vikram Pandit. No mesmo dia, o banco deve divulgar um grande prejuízo relativo ao quarto trimestre.

O banco está planejando adotar o equivalente a uma estrutura de "banco bom, banco ruim", na qual vai se reduzir a um modelo de negócios que lembrará o antigo Citicorp, informou uma fonte com conhecimento dos planos.

A estratégia visa focar em operações para empresas, investimento e de banco de varejo e manterá uma área menor para trading, enquanto transfere ativos e negócios indesejados como dívidas complexas para uma estrutura separada, informou a fonte pedindo para não ser identificada.

O lado "ruim" do Citigroup terá cerca de 600 bilhões de dólares em ativos, quase um terço do balanço da instituição, e pode ser eventualmente vendido ou separado do restante do grupo, disse a fonte.

Ativos que podem ser vendidos incluem a unidade Primerica, que vende seguro de vida, fundos mútuos e outros produtos financeiros.

O Citigroup não comentou seus planos de longo prazo.

O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou em discurso em Londres na terça-feira que o governo norte-americano pode considerar comprar ativos com problemas, fornecendo garantias, definindo ou criando instituições para compra de ativos de bancos em troca por dinheiro e ações.

O Citigroup recebeu 25 bilhões de dólares do governo norte-americano em outubro e mais 20 bilhões de dólares em capital em novembro, como parte do pacote de resgate.

A joint-venture com o Morgan Stanley vai criar a maior corretora dos Estados Unidos, a Morgan Stanley Smith Barney, com mais de 20 mil corretores e 1,7 trilhão de dólares em ativos de clientes. O número de corretores vai superar o do Bank of America, que comprou o antigo primeiro lugar do ranking, a Merrill Lynch.

O Morgan Stanley vai pagar ao Citigroup 2,7 bilhões de dólares em dinheiro por uma participação inicial de 51 por cento na parceria que pode crescer para 100 por cento depois de cinco anos.

Weil criou o Citigroup em 1998 quando o seu Travelers Group comprou o Citicorp, esperando criar uma instituição única para atendimento de consumidores e empresas.

Mas ele nunca investiu o bastante em infraestrutura e na tecnologia para fazer o império, que opera atualmente em mais de 100 países, funcionar bem.

- O modelo do Citigroup era 'vamos ficar maiores e isso vai nos tornar melhores'. Não funcionou dessa maneira- disse Robert Millen, da Jensen Investment Management.

Depois que Weill escolheu Charles Prince como seu sucessor, o banco ingressou profundamente em operações com hipotecas e outras dívidas complexas, deixando a instituição exposta à enormes perdas com crédito e baixas contábeis com o início da crise financeira internacional.

Hoje o terceiro maior banco dos EUA em ativios, depois do Bank of America e do JPMorgan Chase, o Citigroup perdeu 20,3 bilhões de dólares no ano encerrado em 30 de setembro e deve registrar prejuízo de vários bilhões de dólares no quarto trimestre.