Representante da ONU: falta liderança para solucionar crise econômica

Vinicius Konchinski , Agência Brasil

SÃO PAULO - Jomo Kwame Sundaram, secretário-assistente para o Desenvolvimento Econômico do Departamento de Economia e Relações Sociais da Organização das Nações Unidas (ONU), disse nesta segunda-feira, que as causas e as possíveis soluções para a crise econômica global são conhecidas pelos chefes de Estado e autoridades monetárias das nações mais importantes do mundo.

Segundo ele, até agora nenhuma dessas personalidades ou grupo formado por elas tomou a liderança do processo de reestrurução da economia mundial porque ainda falta um líder.

Jomo Kwame Sundaram participounesta segunda-feira, do primeiro dia de debates do Programa Avançado Latino-Americano para o Repensamento do Macro-desenvolvimento da Econômico (Laporde, na sigla em inglês).

O evento, que está sendo realizado na sede da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, faz parte do calendário oficial da Universidade de Cambridge. Nele, economistas de várias partes do mundo, entre ele Jomo K.S., debaterão até esta sexta-feira a crise econômica mundial.

- Instituições de Bretton Woods [Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, por exemplo], não fizeram nada; OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] também não; o G7, nada até agora. Estamos esperando para ver se alguém do G20 assume essa liderança - afirmou Jomo em sua palestra, citando o grupo formado pelos 20 países mais ricos do mundo, entre eles o Brasil.

De acordo com ele, o mercado mundial precisa passar por, entre outras coisas, um rearranjo fiscal e monetário, e principalmente por um aperfeiçoamento dos sistemas de regulação. Jomo disse também que estas mudanças têm que ser discutidas entre Estados Unidos, União Européia e países em desenvolvimento, para que novas crises não voltem a ocorrer.

A vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), Celina Martins Ramalho, uma das organizadoras do primeiro Laporde, concorda com Jomo. Assim como ele, Celina Martins considera que a crise era previsível e foi anunciada há um ano pelos problemas nas hipotecas imobiliárias dos Estados Unidos. Segundo ela, os países hegemônicos da economia mundial não deram a atenção devida aos fatos.

- Nossa próxima esperança é daqui a oito dias, na Casa Branca - afirmou Celina Martins Ramalho, deixando claro que o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem de assumir o protagonismo dos debates anti-crise.

- Ao Brasil também cabe que fazer sua lição de casa - disse.