Preço do gás deve cair mais de 8% no Rio de Janeiro

Ana Cecilia Americano, Jornal do Brasil

RIO - O preço do gás natural que castigou a indústria fluminense com reajustes de preço ao longo do ano passado deverá dar um alívio ao setor a partir de fevereiro quando, segundo cálculos de Renata Cavalcanti, subsecretária Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro, o gás natural para a indústria cairá algo próximo dos 8,5% e o GNV (gás natural veicular) custará para o consumidor do estado 9,5% a menos. De acordo com Renata, no caso do GNV, em comparação com São Paulo, a diferença chegará a 18%.

O mercado fluminense que consome diariamente 7,5 milhões de metros cúbicos teve, em novembro, o preço reajustado em 6%. As previsões, no início do último trimestre de 2008, para o próximo reajuste trimestral, em fevereiro, davam conta de um segundo aumento, de outros 6,28%. A situação levou vários empresários a procurarem a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para negociar uma redução do preço do gás com a Companhia de Gás do Rio de Janeiro (CEG) e a Petrobras.

Faz sentido a mobilização ocorrida comenta Tatiana Lauria, especialista em energia pela Firjan. O gás natural corresponde a 25% da matriz energética da indústria no Rio de Janeiro.

Tatiana lembrou que os reajustes da CEG são trimestrais e o preço do insumo é baseado numa bolsa de óleos cotados em bolsas internacionais e na variação cambial.

Como houve forte variação tanto no preço do petróleo (em setembro, o WTI era vendido a US$ 104,11 o barril) quanto no dólar, a equação pesou muito para a indústria, principalmente em momento de crise internacional.

Segundo ela, no entanto, com a queda do petróleo para US$ 40,88 em dezembro, o preço do gás também seguiu a mesma lógica, caindo. Apesar da boa notícia, a técnica defende a mudança na fórmula do cálculo do preço do gás no Estado do Rio de Janeiro.

Do jeito que está, há muita oscilação nos custos da indústria, o que inviabiliza qualquer planejamento comentou.

Para o especialista em gás do Instituto de Pós-Graduação e de Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Giuseppe Bacoccoli, a diferença dos preços de gás entre Rio e São Paulo se devem a alguns fatores: o de São Paulo tem forte participação do gás boliviano, cujos contratos são de longo termo, e o do Rio provém, basicamente, da produção da Petrobras do gás associado ao petróleo produzido na bacia de Campos.

Além disso, a política de preços da Comgás tem se baseado em premissas de custos diferentes das da companhia estadual fluminense. Para o professor, o custo do gás natural fluminense tem sido, tradicionalmente, mais conveniente para a indústria do Rio de Janeiro.