Mudar somente a qualidade do diesel é insuficiente

SÃO PAULO, 13 de janeiro de 2009 - O acordo feito entre a Petrobras, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para reduzir o teor de enxofre na atmosfera não é suficiente para melhorar a qualidade do ar. A informação foi divulgada há pouco, em coletiva de imprensa, pelo diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

De acordo com o diretor da estatal petrolífera brasileira, não é somente alterando a qualidade de diesel no mercado que as condições do ar ficarão melhores. "Esta etapa é importante na melhoria da qualidade do ar, mas não deverá ser a única. Não tem como melhorar a qualidade do ar apenas com combustíveis, é preciso medidas que visem tecnologias nos motores de autoveículos, analisar medidas que melhorem os engarrafamentos e principalmente atuar com o programa de renovação de frotas, porque não vai ter milagre no ar com a frota que temos hoje".

A mesma visão compartilha o secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Rudolf de Noronha. "Devem ser realizadas medidas conjuntas para melhorar a qualidade do ar, porque as iniciativas isoladas não ajudam no processo", disse, analisando que todos vão centrar os esforços na questão.

Em 30 de outubro foi acordado com o Ministério Público Federal, o fornecimento do diesel S-50 (com 50 partes por milhão de enxofre) a partir de 1 de janeiro deste ano, para as frotas cativas de ônibus urbanos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O diesel está sendo vendido pelo mesmo valor do diesel S-500 (com 500 partes por milhão de enxofre).

Para São Paulo é disponibilizado 60 mil metros cúbicos de diesel por mês, enquanto que para o município do Rio de Janeiro são 30 mil m3 diesel por mês. Atualmente, o diesel S-50 é importado, porém a previsão é de que até o final deste ano, ele seja produzido no Brasil. "Nós estamos realizando testes em algumas refinarias para analisar qual a melhor para produção. Pretendemos atender Rio de Janeiro e São Paulo com refino nacional," afirmou Paulo Roberto Costa.

A Petrobras está investindo US$ 4 bilhões até 2012 para garantir a produção doméstica do diesel S-50, com a construção de 10 unidades de hidrotratamento. Além disso, a companhia deverá injetar mais US$ 2 bilhões para o fornecimento do diesel S-10 a partir de 2013.

O diesel S-50 chega a São Paulo pelo Terminal da Transpetro, em São Sebastião, litoral de São Paulo, depois é transportado pela rede de dutos até o Terminal da Transpetro em Baruer e de lá é bombeado para as bases distribuidoras.

De acordo com cronograma realizado junto com o Ministério Público, a partir de maio deste ano, o diesel S-50 estará disponível para toda a frota de veículos metropolitanos de Fortaleza (CE), Recife (PE) e Belém (PA). Em agosto é a vez de Curitiba (PR). Já em janeiro de 2010, o produto será disponibilizado para as frotas cativas de ônibus urbanos de Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG) e Salvador(BA) e da região metropolitana de São Paulo.

"Com a concretização do dispositivo, o desafio agora é atuar com os veículos antigos e a renovação de frota. Não adianta continuar com os processos do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) se não arrumar a frota antiga", completou a procuradora do Ministério Público Federal, Ana Cristina Bandeira Lins.

(Déborah Costa - InvestNews)