Cena externa leva volatilidade aos negócios

SÃO PAULO, 13 de janeiro de 2009 - Hoje, pesaram sobre os negócios o balanço negativo da Alcoa e os comentários do presidente do Federal Reserve (Fed, BC dos EUA), que as medidas fiscais são insuficientes para recuperar a economia global se não forem acompanhadas por outros estímulos.

Do lado corporativo, a gigante do alumínio anunciou prejuízo de US$ 1,19 bilhão no quarto trimestre de 2008, ou US$ 1,49 por ação, em razão de despesas e queda de 19% das vendas. Em contrapartida, a Cargill reportou lucro líquido de US$ 1,19 bilhão no segundo trimestre fiscal de 2009 (encerrado em 30 de novembro), o que representa um aumento de 25% em relação aos US$ 954 milhões obtidos no mesmo período do ano anterior.

Ainda no âmbito corporativo, o Citi confirmou hoje, por meio de comunicado, que está em negociação com o Morgan Stanley sobe uma possível combinação de negócios das unidades de corretagem de varejo Smith Barney com a área de gestão de fortunas do ex-banco de investimentos. A instituição financeira norte-americana ressaltou que não se chegou a um acordo definitivo, e que não há qualquer garantia de que o acordo será alcançado.

Por aqui, mais um dado ruim de atividade econômica no país reforça as apostas de que o colegiado do Banco Central (BC) deve ser mais agressivo no corte da taxa Selic, atualmente 13,75% ao ano. Como previam os especialistas, a indústria brasileira sentiu os reflexos da crise no final do ano passado. Em novembro a indústria cortou 0,6% do contingente de empregados, o que representa a maior queda desde outubro de 2003 (-0,7%).

Outro sinal de que a economia está cada vez mais fraca veio do sinalizador da produção industrial de dezembro, divulgado pala Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador mostrou queda de 13,5% na margem, e de -12,6% em relação a dezembro de 2007.

Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) tiveram mais um dia de queda. O DI de janeiro de 2010, o mais negociado apontou taxa anual de 11,48%, ante 11,59% do ajuste anterior. Há economistas estimando corte dos juros de 1 ponto percentual, no entanto, a curva de juros futuros revela que as apostas mais firmes se concentram na redução entre 0,50 e 0,75 ponto.

Já no mercado acionário, depois de registrar máxima de 40.322 pontos (2,33%) e mínima de 38.623 pontos (-1,97%), o Ibovespa marcou valorização de 0,36%, aos 39.544 pontos. O giro financeiro somou R$ 2,88 bilhões.

No mercado de câmbio, em meio ao clima de maior aversão ao risco, o dólar comercial emendou o segundo pregão consecutivo de ganhos. A moeda estrangeira chegou a avançar a R$ 2,33 na máxima do dia, mas fechou em alta de 1,35%, vendida a R$ 2,327. Pelo mundo, a divisa da terra do tio Sam também se valorizou frente as demais moedas, enquanto que algumas commodities caíram.

Segundo analistas, a melhora nas cotações do petróleo, os leilões do Banco Central e a alta ensaiada pelas bolsas de Wall Street contribuíram para a menor alta do dólar. No mercado de commodities, o preço do "ouro negro" voltou a subir com força diante da possibilidade de um terceiro corte da quota de produção pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Como tem feito quase que diariamente, a autoridade monetária brasileira ofertou dólares no mercado à vista de câmbio, além de injetar US$ 500 milhões por meio de leilão com compromisso de recompra futura em 4 de maio. A taxa de venda foi de R$ 2,327.

(Redação - InvestNews)