Lula admite trimestre preocupante e prevê medidas

Ayr Aliski, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Depois de ter dito no ano passado que a crise mundial provocaria apenas uma marolinha no Brasil, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu nesta segunda-feira que o país começa o ano com um trimestre preocupante . O termo foi utilizado durante entrevista concedida na edição desta segunda do programa de rádio Café com o presidente.

Nós vamos ter um trimestre preocupante, mas o governo tomará todas as medidas necessárias para que essa crise afete menos o povo brasileiro. Nós precisamos garantir empregos, garantir salários e garantir renda. afirmou Lula. Esses são três componentes extraordinários para que a economia brasileira continue a crescer e o povo não seja vítima de uma crise que não foi causada pelo Brasil.

Em São Paulo, na abertura da 36ª Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro (Couromoda), Lula reforçou o discurso apresentado no programa de rádio. Disse que medidas importantes contra a crise seriam anunciadas ainda em janeiro. No último programa de rádio de 2008, Lula havia assegurado que novas medidas oficiais contra a crise seriam divulgadas até o dia 20 deste mês. Nesta segunda, na Couromoda, Lula afirmou que o governo poderá cortar despesas de custeio, mas não de investimento. Este mês o governo comemora um ano de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para o qual não vai faltar dinheiro, avisou.

Sapatada

O último grande pacote de medidas foi anunciado no fim de 2008, com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito ao consumidor. O presidente disse que as novas medidas serão lançadas separadamente. O governo rejeita o rótulo de pacote às medidas, ao argumentar que decisões são tomadas de modo pontual.

Na abertura da feira, Lula protagonizou um episódio, no mínimo, curioso. Ao se deparar com os jornalistas que cobriam o evento, o presidente ameaçou atirar um sapato. A brincadeira, que levou assessores e o governador José Serra às gargalhadas, foi uma menção ao recente episódio que envolveu o presidente dos Estados Unidos, George Bush, no Iraque. Na ocasião, um jornalista atirou seus sapatos sobre Bush, em protesto contra a política americana para o Oriente Médio.