Investidores promovem ajustes de fim de ano

SÃO PAULO, 30 de dezembro de 2008 - Como já era esperado, o volume de negócios ficou reduzido decorrente do fim do ano. Pelas mesas de transações, operadores trabalharam em esquema de plantão e realizaram poucos negócios, a maior parte, ajustes de fim de ano. No segmento de renda fixa, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na BM&FBovespa encerraram o dia com poucos negócios e queda nas projeções decorrente da forte desvalorização do dólar. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, apontou taxa anual de 12,17%, ante 12,32% ao ano.

Para o Banco Fibra como a possibilidade de redução da taxa básica de juros já foi discutida na última reunião e as expectativas para os indicadores de atividade daqui até a reunião de janeiro apontam para um aprofundamento da desaceleração econômica, o colegiado do Banco Central (BC) deve optar por dar início do ciclo de flexibilização da política monetária já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para 20 e 21 de janeiro.

Segundo operadores de renda fixa, o mercado repercutiu positivamente nesta terça-feira a notícia, divulgada ontem à noite, de que o governo norte-americano irá ajudar, com US$ 6 bilhões, à GMAC, o braço financeiro da montadora de veículos General Motors. A salvação da financeira da GMAC é considerada por analistas um fator primordial para a sobrevivência da GM.

Por aqui, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 11% entre novembro e dezembro de 2008, ao passar de 83,9 para 74,7 pontos, o nível mais baixo desde outubro de 1998, considerando-se dados com ajuste sazonal.

Ainda no mercado doméstico, o BC informou que a dívida líquida do setor público superou R$ 1,047 trilhão em novembro, o que representa 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB)- uma queda de 1,4 ponto percentual do PIB em relação a outubro.

Para a Gradual Investimentos, a autoridade monetária trabalha com modelos para arbitrar a taxa de juro básica. Não há dúvida de que se deve ponderar a relação Dívida/PIB nesse delicado equilíbrio. "Se o BC segurar demais a economia podemos ver parte deste ganho se deteriorar durante o ano que vem, jogando sob uma pesada penumbra a saúde financeira do Brasil".

"O mercado, e nós também, esperamos uma queda substancial, mas paulatina, na taxa Selic, atualmente 13,75% ao ano, ao longo de 2009 de tal sorte que as condições financeiras internas proporcionem a retomada do investimento e do crédito à normalidade", enfatiza o relatório da Gradual Investimentos.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)