Pregão esquenta pouco com notícias sobre petróleo

SÃO PAULO, 29 de dezembro de 2008 - No penúltimo pregão do ano, a BM&FBovespa reflete a monotonia das férias em meio a cautela dos investidores que acompanham o noticiário internacional, especialmente o desempenho do mercado norte-americano, que abalou pregão acionário brasileiro, após queda das bolsas em Wall Street com o anúncio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Dallas. O órgão informou que produção industrial da região desabou de -21, em novembro, para -33, em dezembro. Com isso, o Ibovespa, que chegou a registrar alta de 2,08% na máxima do dia, terminou o pregão com discreta alta de 0,53%, aos 37.060 pontos. O giro financeiro alcançou R$ 1,9 bilhão.

Segundo o chefe de mesa da HSBC Corretora, José Augusto Miranda, o comportamento atípico revelou que muitos investidores preferiram não fazer novas posições, afastando a perspectiva de valorização esperada pelos analistas. "Muitas pessoas compraram na melhora que ocorreu em novembro, pensando em realizar lucros agora. No entanto, o mercado não performou, aumentando a cautela dos agentes", acredita.

Miranda avalia que a alta registrada na primeira etapa dos negócios foi puxada pela aceleração da cotação do petróleo, entretanto, a elevação do preço do barril não se sustentou, provocando uma queda do Ibovespa que vinha apresentando ritmo fraco. A commodity atingiu US$ 42,20 por barril de manhã, impulsionados pela confirmação do corte na produção dos Emirados Árabes Unidos e pelas notícias do conflito na Faixa de Gaza. No entanto, o preços do contratos para fevereiro terminou próximo de US$ 40 por barril.

Ainda contribuíram para agitar o setor a informação de que o Kuwait desistiu do plano de formar uma parceira de US$ 17,4 bilhões com a Dow Chemical em meio à oposição política doméstica. A joint-venture - conhecida como K-Dow - daria à gigante química norte-americana acesso a petróleo de custo menor. Diante do noticiário, os papéis da Petrobras terminaram a sessão em 3,99%, a R$ 27,09.

Apesar disso, de acordo com o profissional da HSBC Corretora, o desempenho do Ibovespa foi influenciado principalmente pela mudança na composição do índice, que começará a vigorar na sexta-feira (2). "O maior volume de hoje se deve a ação dos fundos que estão ajustando as carteiras à nova composição do Ibovespa", analisa.

Entre as maiores altas, aparecem justamente os papéis que ganharam mais peso no Ibovespa: Usiminas ON (USIM3) subiram 7,95%, a R$ 25,10; Gafisa ON (GFSA3) avançou 6,8%, a R$ 10,04; Sadia PN (SDIA4) subiu 6,74%, a R$ 3,64 e a BM&FBovespa ON (BVMF3), saltou 5,12%, para R$ 6,15.

Na outra ponta, a JBS ON (JBSS3) caiu 5,84%, a R$ 4,51; TIM Participações ON TCSL3 recuou 5,83%, a R$ 5; Klabin PN (KLBN4) cedeu 5,15%, a R$ 3,3; Perdigão ON (PRGA3) perdeu 4,42%, a R$ 30 e a TAM PN (TAMM4) desvalorizou 4,30%, R$ 18,24.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)