IGP-M reforça retração no consumo doméstico

SÃO PAULO, 29 de dezembro de 2008 - O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de dezembro reforça o cenário de desaceleração tanto da inflação quanto da demanda interna. A afirmação é do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. Segundo ele, a deflação de 0,13% registrada em dezembro, maior que a expectativa dos analistas, contou com forte contribuição do Índices de Preços por Atacado (IPA), que teve taxa negativa de 0,42%. "A deflação nesse indicador foi quase que generalizada, não ocorrendo apenas no grupo de preços de matérias primas (0,42% para 0,53%)", disse.

O economista destaca que a retração do IPA foi puxada pelo grupo bens intermediários (0,39% para -1,07%), causada em especial pelo subgrupo materiais e componentes para manufatura. "Como vem sendo dito há certo tempo, parece que o efeito da queda nos preços das commodities vem dominando o efeito da alta do câmbio, indicando um cenário de inflação menor", avalia.

Na ponta do varejo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) constatou alta em 5 dos 7 grupos componentes do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) (0,52% para 0,58%). Para Gonçalves a maior pressão partiu das despesas com transportes (0,09% para 0,50% em dezembro), devido a reajustes nas tarifas de ônibus urbanos e táxis. "Quando se observa esse índice em doze meses, entretanto, se verifica uma queda, com a variação passando de 6,16% em novembro para fechar o ano em 6,07% em dezembro".

O IGP-M terminou este ano acumulando inflção de 9,81%, abaixo da previsão do mercado financeiro. Segundo o último Boletim Focus elaborado pelo Banco Central (BC) em 2008, os profissionais projetavam elevação de 9,95%.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)