EUA preparam novo pacote

Jornal do Brasil

RIO - O futuro governo Obama e a bancada democrata no Congresso estão próximos de um acordo em torno de um enorme pacote de gastos públicos destinado a estimular a recuperação econômica e criar 3 milhões de empregos em dois anos, disse ontem o vice-presidente eleito Joe Biden. Questionado sobre a possibilidade de um acordo antes do Natal, Biden se limitou a dizer:

Acho que estamos chegando incrivelmente perto disso.

Biden não quis dar detalhes, porém, sobre o custo do pacote ao contribuinte. Nos últimos dias, algumas fontes do governo disseram que, em janeiro, deve ser apresentado um projeto com valor total de US$ 675 bilhões a US$ 775 bilhões. Outros especulam que haverá gastos ainda maiores, em tarefas como recuperação de pontes e estradas, investimentos em transporte de massa, benefícios fiscais à classe média e mais ajuda aos Estados e aos pobres.

A economia dos Estados Unidos registrou na terça-feira contração de 0,5% em termos anualizados no terceiro trimestre, como o esperado. O resultado foi influenciado por reduções de gastos de consumidores e empresas deviso à crise financeira.

Retração

A economia dos Estados Unidos entrou em recessão em dezembro passado, intensificada em setembro com o colapso do banco de investimentos Lehman Brothers, que congelou o crédito e levou famílias e empresários a cortarem gastos.

Os dois últimos trimestres foram bem fracos e, se nada acontecer, eu temo que isso pode indicar que o quarto trimestre será bastante ruim afirmou Kurt Karl, economista-chefe da Swiss Re.

O Departamento do Comércio, em sua revisão final, afirmou que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre frente aos três meses anteriores foi a maior desde o terceiro trimestre de 2001, logo após os ataques de 11 de setembro ao país. Analistas previam uma queda de 0,5%, depois do crescimento de 2,8% no segundo trimestre, quando restituições de impostos alimentaram temporariamente a demanda.

Moradias em baixa

A venda de moradias novas nos EUA desacelerou em novembro para o nível mais fraco desde 1991, de acordo com dados do Departamento de Comércio divulgados ontem. Os números dão novas evidências da situação difícil do mercado imobiliário americano.

O ritmo anual de vendas ajustado sazonalmente de 407 mil representa queda de 2,9% ante outubro e marca a taxa mais baixa desde janeiro de 1991. Economistas previam que as vendas seriam de 420 mil em comparação com as 419 mil unidades de outubro, número revisado divulgado anteriormente como de 433 mil. A mediana do preço das vendas aumentou para US$ 220,4 mil, ante US$ 214,6 mil em outubro.