Crise chega a pequeno varejo e desemprego preocupa

SÃO PAULO, 23 de dezembro de 2008 - Enquanto as grandes redes de farmácias cresceram acima do esperado em 2008 e desconheceram os efeitos da crise no sistema financeiro mundial, a situação no pequeno varejo foi a oposta, segundo afirmam analistas. A pequena farmácia - que compra do atacadista - pagará mais caro pelo produto e a expectativa é que as menores condições de crédito dificultarão o pagamento aos distribuidores.

"O distribuidor terá um prazo mais curto para pagar os produtos - de 25 a 120 dias ante os 80 a 180 dias. Desta forma, ele terá de bancar os próprios custos, o que será difícil devido ao crédito mais escasso no mercado", explica Sérgio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que representa 25 redes.

Segundo o executivo, isso pode provocar um desabastecimento do medicamento na pequena farmácia. Por mais que haja crise, de acordo com Barreto, as perspectivas para as grandes redes, em 2009, serão sempre positivas.

"A crise para as lojas só vai chegar se houver desemprego", acredita Edison Tamascia, presidente da Federação Brasileira das Redes Associativas de Farmácias (Febrafar) - entidade que representa 26 redes de farmácias (2.524 lojas).

No pequeno e médio varejo, segundo Tamascia, o crescimento - pelo menos dos associados - está até acima do Produto Interno Bruto (PIB). "Vivemos nosso melhor momento. O pequeno varejo deve pouco. Nosso índice de endividamento é 15 dias. Temos um estoque de 75 dias nas lojas", argumenta o executivo.

"Já o grande varejo depende de financiamento para poder crescer. Alguns distribuidores vão sentir o impacto porque, em função do crescimento, se endividam e não têm o capital de giro. Mas daí, substitui-se o distribuidor", declara Tamascia.

"O que está acontecendo no País é uma crise de crédito. A pequena e média farmácia não depende de financiamento para comprar medicamentos nem o consumidor. Comprou, pagou. No máximo paga em 30 dias. O problema é o desemprego. Esse sim pode mexer com tudo", declara.

A Febrafar é uma sociedade civil sem fins lucrativos. Atua sob o modelo associativista de gestão empresarial que facilita ao micro e pequeno empresário se qualificar para competir com ética no mercado, efetuar compras conjuntas, fortalecer as relações com os fornecedores e oferecer a seus consumidores qualidade na prestação de serviços.

"Cada farmácia (ponto-de-venda) fatura, em média, R$ 80 mil mensais. O faturamento das farmácias associadas às redes Febrafar representa em torno de 8% do faturamento (em vendas) obtido pelo varejo farmacêutico nacional. Em 2007, o mercado movimentou em torno de R$ 26 bilhões", explica.

O associativismo foi uma forma eficiente de driblar muitos problemas diante da proliferação das grandes corporações. As farmácias e drogarias de pequeno e médio portes perceberam que somente através da união seria possível enfrentar a crescente concorrência.

"Foi quando o mercado começou a notar o surgimento de redes independentes nas mais variadas regiões do País. E é com essa finalidade que foi criada a Febrafar, visando auxiliar as redes independentes a se organizar, profissionalizar e conquistar um relevante posicionamento de mercado", declara o executivo.

Segundo o presidente da Federação, Edison Tamascia, esse crescimento (de 75%) no número de associadas deve-se a diversos fatores, entre os quais, destaca a qualidade dos produtos e serviços oferecidos pela Febrafar e a necessidade das redes independentes participarem de um grupo cuja credibilidade junto ao mercado lhe permite manter parcerias com as maiores indústrias e distribuidoras farmacêuticas do País.

(Silvana Orsini - InvestNews)