Brasileiros no Japão tentam sobreviver à crise econômica

Agência ANSA

SÃO PAULO - Um mês após o anúncio do Japão de que sua economia entrou em recessão, a situação dos brasileiros que vivem no país é cada vez mais difícil, mas ainda há os que não desistiram do sonho de uma vida melhor no país.

Esse é o caso do casal Marcos e Vanessa Reis, que vive no Japão há três anos e que não pretende deixar o país. Desempregados, ambos tiveram que se reorganizar, "para não largar tudo e ir correndo para o Brasil".

- Aqui está uma loucura. Aqui em Gifu [onde moram] há cerca de três mil brasileiros sem emprego- contam em entrevista à ANSA.

Para driblar a crise, eles vendem panetones e chocolates de produção caseira.

- Apesar da situação não estar fácil, as pessoas ainda compram. Então temos que aproveitar a época do Natal. Nossa produção está a todo o vapor", explicaram Vanessa e Marcos. "Muitos brasileiros aqui no Japão fazem isso. Buscam um meio alternativo para ganhar dinheiro- continuam.

Questionados se pensam em voltar ao Brasil, o casal diz que, por enquanto, não.

- Gostamos muito daqui. O país é bom, nos dá uma vida segura, temos condições para fazer o que queremos. Temos uma vida mais saudável, com conforto, viajamos, vamos a shows, a única coisa que aperta é a saudade da família- conta o casal que, como a maioria dos decasséguis [como são conhecidos os descendentes de japoneses que retornaram ao país em busca de trabalho], foi ao Japão em busca de uma vida melhor.

- E também há gente que acredita que a crise vai passar em março do próximo ano- afirma o casal que, enquanto não consegue uma nova colocação, pretende viver com o 'seguro-desemprego' [disponível aos que contribuíram enquanto estavam trabalhando] e a renda extra das vendas do pão típico de Natal.

Segundo eles, especialistas locais afirmam que não é momento de deixar o país e inclusive "dão dicas de como sobreviver à crise aqui. Mesmo porque não adianta ir embora assim. Tem muita gente que estava aqui há mais de 15 anos, não estudou, não se especializou. Então, também não conseguirá emprego no Brasil".

Em setembro deste ano viviam no país 316.967 brasileiros, segundo a Associação de Imigração do Japão, alguns destes voltaram ao Brasil com a intensificação da crise. A fila de espera para embarcar chega a mais de um mês, segundo afirmaram à ANSA brasileiros que estão no país.

O Japão foi duramente atingido pela crise econômica mundial por ser o maior exportador de tecnologias aos Estados Unidos, país que deixou de importar ao ser afetado pela crise financeira global. O governo local fala que a economia do país está piorando.

Em novembro, a balança comercial do país registrou um novo déficit comercial. As exportações (principal mercado japonês) foram afetadas pela alta do iene, com uma queda de 26,7% em relação ao mesmo período em 2007.

O Ministério das Finanças do país informou que as exportações para os Estados Unidos caíram 34% e para a União Européia 31%. As principais quedas foram nas vendas externas de veículos, autopeças, equipamentos de áudio e componentes eletrônicos.