Brasil e França assinam acordo de defesa de US$12 bi

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REUTERS - Brasil e França assinaram na terça-feira acordos na área de defesa, possivelmente no valor de 8,6 bilhões de euros (US$ 12 bilhões), que incluem a transferência de tecnologia para que o Brasil possa desenvolver sua indústria bélica e eventualmente fabricar o primeiro submarino nuclear da América Latina.

Uma fonte na delegação do presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que o acordo envolve a produção de 50 helicópteros e quatro submarinos convencionais, no valor de 8,6 bilhões de euros. As autoridades brasileiras não confirmaram a cifra.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou o acordo, assinado por ele e Sarkozy no Rio, como reflexo do status do Brasil como potência emergente. Lula afirmou que os helicópteros e submarinos permitirão que o país proteja melhor os seus recursos.

Na semana passada, Lula apresentou um novo plano estratégico de defesa que transfere a prioridade da vigilância da Amazônia para a proteção das recém-descobertas reservas de petróleo.

- Não é a capacidade de atacar quem quer que seja, mas a força militar para a autodefesa, disse Lula em entrevista coletiva com Sarkozy no hotel Copacabana Palace.

- Precisamos ser claros de que dar importância às Forças Armadas tem tudo a ver com o Brasil obter know-how tecnológico, e isso é exatamente o que a França está nos oferecendo, disse Lula.

O Brasil certamente está atento aos gastos militares de seus vizinhos, como a Venezuela, que vem adquirindo muitas armas e aviões da Rússia. Mas analistas dizem que o principal interesse do Brasil é a tecnologia que obterá da França e a ampliação do seu alcance militar.

- Eles (os brasileiros) estão finalmente percebendo que são a superpotência regional, disse Peter Zeihan, vice-presidente de análises da consultoria texana de geopolítica Stratford.

- A única parte do programa em que vemos uma aplicabilidade imediata é a compra de helicópteros (...). Tudo o mais, particularmente o submarino, tem a ver com o começo da construção de uma capacidade industrial nativa.

Alguns analistas de defesa criticaram a parceria com a França, argumentando que os aviões russos e norte-americanos são mais adequados às dimensões continentais do Brasil, e que o desenvolvimento de um submarino movido a energia nuclear seria caro demais, além de inadequado às águas brasileiras.

A escolha da França, segundo esses analistas, poderia ser um modo de não depender da tecnologia norte-americana, e também de não se indispor com os EUA ao fazer uma aliança com a Rússia.

Sob o acordo, o Brasil comprará 50 helicópteros EC725 Super Cougar construídos localmente pela Helibras, subsidiária da Eurocopter no Brasil. A Eurocopter, por sua vez, é subsidiária do grupo europeu EADS. Os helicópteros, cujo valor é estimado em 1,9 bilhão de euros, devem ser entregues a partir de 2010.

A França também vai fornecer ao Brasil a tecnologia para construir quatro submarinos convencionais, no valor de 4,1 bilhões de euros, além do primeiro submarino nuclear do país.

Do suposto total de 8,6 bilhões de euros, 6 bilhões irão para empresas francesas e 2,6 bilhões para empresas brasileiras, segundo uma fonte da delegação francesa.

- É uma decisão histórica, porque a França acredita que um Brasil poderoso é um elemento importante para a estabilidade do mundo, disse Sarkozy em entrevista coletiva.

Como parte da modernização do equipamento militar, o governo espera renovar sua frota de aviões de combate nos próximos 15 anos. A francesa Dessault é um das três empresas finalistas para fornecer os 36 primeiros jatos.