Ásia cai pelo 3º dia consecutivo; Xangai perde 4,55%

SÃO PAULO, 23 de dezembro de 2008 - As bolsas da Ásia fecharam em queda pelo terceiro dia consecutivo, afetadas nesta terça-feira pelos recuos nos preços do petróleo (que ficaram abaixo dos US$ 40) e pelo impacto limitado do corte de juros promovido ontem na China. As notícias negativas envolvendo a indústria automotiva na Coréia do Sul e no Japão também incentivaram a venda de ações do setor em todo o continente.

Entre os principais índices da Ásia, o Kospi de Seul recuou 2,99%, para 1.144,31 pontos. Em Hong Kong, o indicador referencial Hang Seng caiu 2,75%, para 14.220,79 pontos. Na China, o índice Xangai Composto caiu 4,55%, para 1.897,22 pontos. Já no Japão, a Bolsa de Valores de Tóquio não operou hoje por conta do feriado local (Dia do Imperador).

Com a proximidade das festas de fim de ano, a ausência de investidores aumenta e reduz o volume de negócios nos pregões. Em todo o continente asiático, o mercado reagiu hoje ao corte de 0,27 ponto percentual na taxa básica de juros da China, para 5,31%.

A decisão do Banco Popular da China (PBOC, central) teve como objetivo estimular o crédito e o crescimento econômico. No entanto, analistas afirmaram que o impacto da redução no juro será limitado, impulsionando a venda de ações em Xangai.

As notícias negativas envolvendo o setor automotivo elevaram ainda mais o nervosismo nos pregões. A GM Daewoo, unidade sul-coreana da gigante norte-americana General Motors, e a Renault Samsung anunciaram que fecharão suas plantas na Coréia do Sul. Já a Toyota, maior fabricante de veículos do Japão, nomeará Akio Toyoda como novo presidente da companhia a partir de abril de 2009, segundo revelou o jornal Asahi.

A indicação de Toyoda é feita um dia após o jornal Nikkei revelar que a Toyota deverá registrar um prejuízo operacional de aproximadamente 150 bilhões de ienes (US$ 1,7 bilhão) no atual ano fiscal, que termina em março de 2009. Esta será a primeira vez em 14 anos que um membro da família Toyoda, fundadora da Toyota, assume a presidência da empresa.

Destaque também nos pregões para o desempenho das companhias petrolíferas, prejudicadas pelos recuos nos preços do petróleo. Há instantes, o barril do tipo WTI, com vencimento em fevereiro, caía 0,37%, cotado a US$ 39,54 na Bolsa de Mercadorias de Nova York (NYMEX, sigla em inglês).

A queda no preço do barril é ocasionada pelos temores de que a desaceleração na economia mundial deverá reduzir as viagens aéreas neste fim de ano, diminuindo a demanda por combustíveis, especialmente na Ásia. Entre as companhias do setor, os papéis da PetroChina negociados em Hong Kong diminuíram 5,43%, enquanto os títulos da australiana Woodside Petroleum terminaram o dia com perda de 1,80%.

(Marcel Salim - InvestNews)