Projeções se ajustam para baixo na BM&FBovespa

SÃO PAULO, 11 de dezembro de 2008 - Os investidores em contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que embutem a expectativa de juros, fortaleceram nesta manhã o movimento em direção a uma redução da taxa Selic no próximo ano. Apesar da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em manter a taxa de juros em 13,75% ao ano, o comunicado do Banco Central (BC) divulgado depois da reunião (a última de 2008) sugere que cortes virão, avalia o Departamento econômico do banco Fator.

Profissionais de renda fixa, ressaltam que o comunicado do BC está sendo visto como indicativo de que a taxa Selic deve recuar já na primeira reunião de 2009. Para esses analistas, o sinal esperado, portanto, veio por meio do comunicado e não por uma divisão de votos - muito possivelmente a unanimidade na decisão foi construída durante as mais de três horas de reunião numa estratégia de defesa da instituição, que sofreu, talvez, uma das fortes pressões pela baixa do juro básico em toda a gestão de Henrique Meirelles, levando o mercado a temer ingerência política.

No comunicado a autoridade monetária destaca que, "tendo a maioria dos membros do comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu, por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés, neste momento".

Os agentes financeiros monitoram também os movimentos de flexibilização monetária em três outros países: Coréia do Sul, Taiwan e Suíça que reduziram as taxas de juros.

Negociado na BM&FBovespa, o DI com vencimento em janeiro de 2009, apontava juro anual de 13,47%, ante 13,42% do ajuste anterior. Este papel aponta leve alta decorrente da minoria dos agentes financeiros que estimavam corte da Selic na reunião do Copom de ontem. O DI de janeiro de 2010, o mais negociado, apontava taxa de 12,78%, ante 12,94% do dia anterior.

Analistas comentam também que com a curva de juros futuros se ajustando para baixo o Tesouro Nacional deve pagar taxas menores para a colocação dos papéis prefixados no mercado. Hoje o órgão da Fazenda ofertou 2,750 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), 450 mil de Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F) e até 1,5 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) para o leilão tradicional de venda.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)