IBovespa ignora Wall Street e sobe com Petrobras

SÃO PAULO, 11 de dezembro de 2008 - Mesmo com a abertura em queda das praças acionárias de Wall Street, a bolsa brasileira apresenta avanço, puxada pela forte valorização dos papéis da Petrobras. Instantes atrás, o índice acionário da BM&FBovespa registrava valorização de 1,51%, aos 39.594 pontos. O giro financeiro estava em R$ 1,72 bilhão.

O preço do barril de petróleo voltou a subir nesta quarta-feira, puxando junto as ações da estatal petrolífera (4,78% para os papéis preferenciais e 5,77% para as ordinárias). O mercado trabalha com a expectativa de que Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), responsável pelo abastecimento de 40% das refinarias mundiais, pode diminuir a produção para 2,5 milhões de barris diários como medida de combate ao declínio dos preços da commodity. O cartel se reúne na próxima quarta-feira (17).

As bolsas dos EUA abriram em queda, repercutindo novo avanço semanal nos pedidos de auxílio-desemprego. Já o déficit da balança comercial dos Estados Unidos avançou mais do que o esperado no mês de outubro. A diferença entre importações e exportações atingiu US$ 57,2 bilhões, ante o número revisado de setembro de US$ 56,6 bilhões.

Os mercados também aguardam aprovação do plano de ajuda às duas montadoras norte-americanas - Chrysler e General Motors; a Ford não está solicitando empréstimo - pelos senadores norte-americanos. Mas como parlamentares republicanos prometeram questionar a medida, dificultando sua liberação no Senado, o clima é de incertezas. Na noite de ontem, a Câmara dos Deputados aprovou o pacote de cerca de US$ 14 bilhões.

Por aqui, pelo quarto dia consecutivo, as ações da Positivo Informática avançam forte, repercutindo uma possível aquisição da companhia pela Dell e Lenovo. Instantes atrás, os papéis ordinários da companhia subiam 4,5%, aos R$ 10,91.

Também é destaque o "Pacote de Bondades", que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar ainda hoje. O plano deve incluir reduções em impostos importantes, como Imposto de Renda, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Por fim, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por unanimidade manter a taxa de juros básica (Selic) em 13,75% ao ano. A justificativa dos membros do Comitê foi o agravamento da crise financeira mundial. O comunicado divulgado depois da reunião (a última deste ano) sinalizou a manutenção do viés - o que, na prática, assegura o atual patamar até o próximo encontro, em janeiro. Porém, mostra também que, como foi cogitado o corte na taxa, ele pode ocorrer já no próximo ano.

(Vanessa Correia - InvestNews)