Sindicalista ameaça Meirelles com campanha

Ayr Aliski, JB Online

BRASÍLIA - Líderes sindicais tiveram ontem a reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e saíram sem proposta concreta em relação à principal reivindicação do grupo: medidas que garantam a manutenção de empregos. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, disse que as medidas adotadas até agora pelo governo seguem um caminho correto, mas são insuficientes. E o presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, chegou a ameaçar com uma campanha contra o presidente do Banco Central Henrique Meirelles se os juros não baixarem em 2009.

Se o governo não baixar juros, a partir de janeiro vamos fazer uma campanha para derrubar o Meirelles disse Paulinho, acusado recentemente de desvio de dinheiro público, pela Polícia Federal.

Apesar de saírem de mãos vazias do encontro, os sindicalistas disseram que não vão aceitar ações que prejudiquem os trabalhadores. Ao comentar a proposta de empresários de suspender o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o diretor da CUT, José Lopes Feijó, foi incisivo.

É o limite da cara de pau disse, ameaçando que se a proposta avançar, o resultado será greve geral.

PAC preservado

Segundo os líderes sindicais, Mantega disse que o governo seguirá mantendo investimentos em políticas públicas e sociais, além das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que foi saudado pelos sindicalistas. Eles argumentaram que empresas que estão recebendo créditos ou outras formas de apoio do governo federal para superar a crise devem, em contrapartida, dar garantia de manutenção de empregos. Segundo Paulinho, Mantega comprometeu-se a anunciar nos próximos dias as medidas de apoio à manutenção de emprego e renda. No entanto, ele disse que a reunião foi apenas razoável.

Não saímos daqui convencidos de que o governo vá atender nossas reivindicações para manter os empregos disse Paulinho.

Segundo Santos, da CUT, o governo se comprometeu a fazer reuniões nos próximos dias com trabalhadores e empresários em câmaras setoriais para discutir formas de garantir as vagas. Disse que na próxima terça-feira, haverá a primeira reunião com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social com trabalhadores e empresários.