Decisão do Copom pauta negócios

SÃO PAULO, 10 de dezembro de 2008 - Enquanto aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), no início da noite, os analistas monitoram os dados de inflação e os números sobre o emprego industrial referente ao mês de outubro divulgados nesta manhã. A ala majoritária do mercado aposta na manutenção da taxa Selic nos atuais 13,75% ao ano. A última reunião do ano não deve trazer surpresas, embora uma ala mais otimista, porém pequena, estima que o Banco Central (BC) pode decidir por uma queda de 0,25 ponto percentual.

Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) voltaram recuar nesta manhã diante do resultado do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) que desacelerou para 0,14%, na primeira prévia de dezembro. O resultado veio dentro das estimativas dos analistas (-0,26% a +0,30%), no entanto, foi superior à mediana das expectativas de -0,02%. Há pouco, o contrato de DI de janeiro de 2010, o mais líquido, apontava taxa anual de 13,04%, ante 13,18% do ajuste anterior.

Por outro lado, mais uma sinal de retração da atividade industrial doméstica pode preocupar o mercado financeiro nesta quarta-feira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as fábricas cortaram 0,2% postos de trabalho em outubro, face setembro, considerando os efeitos sazonais, depois de apresentar estabilidade por dois meses seguidos.

Com a atividade econômica dando sinais de enfraquecimento nos próximos meses e os últimos dados de inflação mostrando desaceleração o foco das atenções hoje é a decisão da reunião do Copom.

A economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, que estima manutenção dos juros, ressalta que, o colegiado do BC deverá optar por manter a cautela, mesmo com os últimos indicadores favoráveis de inflação, seja no atacado ou varejo, e mesmo com a forte retração da atividade produtiva no mês de outubro. "A única certeza que temos é de que a economia irá desacelerar junto com a economia global, mas a magnitude do desaquecimento e o desempenho dos preços são incertos com os dados atuais obtidos, tornando a decisão de manutenção dos juros mais oportuna neste momento", enfatiza.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)