Saída de recursos pressiona e dólar vai a R$ 2,475

SÃO PAULO, 3 de dezembro de 2008 - O dólar fechou o dia em alta de 3,47%, vendido a R$ 2,475, pressionado pelas saídas forte de recursos ao exterior. Nem mesmo os três leilões do Banco Central conseguiram impedir a valorização da moeda norte-americana.

Preocupações com o futuro da economia mundial ajudaram a promover mais uma rodada de alta no dólar. A agenda econômica repleta de indicadores ruins imprimiu uma dose extra de cautela. Tanto que a divisa oscilou entre a mínima de R$ 2,378 e a máxima de R$ 2,475. Segundo a consultoria LCA, as saídas financeiras do fluxo comercial também ajudam a manter o real pressionado. "Apesar da contínua melhora do fluxo cambial no segmento comercial, com o restabelecimento gradual das linhas de financiamento aos exportadores (a razão entre exportações físicas e o câmbio contratado pelos exportadores atingiu 91% em novembro, ante 78%), houve um aprofundamento das saídas financeiras em novembro, de modo que o fluxo cambial ficou ainda mais negativo do que em outubro", destacou um relatório. Segundo o Banco Central (BC), o fluxo fechou novembro no vermelho, em US$ 7,16 bilhões, contra um resultado negativo de US$ 5,03 bilhões em outubro.

Porém, para a consultoria, as saídas financeiras tende a diminuir nos próximos meses já que muitos fundos já retiraram dinheiro do Brasil. "A perspectiva é de descompressão cambial no médio prazo, embora no curto prazo o câmbio deve permanecer pressionado", estima.

Leonardo dos Santos, analista da Austin Rating, avalia que a volatilidade e as incertezas tendem a prosseguir no curto prazo, enquanto não houver um clareamento do cenário. 'É difícil traçar uma perspectiva para o câmbio, mas o interessante é observar os preços das commodities e as demais condicionantes que influenciam nas cotações', destaca. Do lado financeiro, o especialista lembra do fator especulação, variável importante que têm deixado o preço do dólar mais pressionado.

Segundo Santos, o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana, juntamente com a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sobre os juros podem dar uma refrescada no câmbio. 'Se o diferencial de taxa permanecer alta, pode ser que volte a ingressar dólares no País', avalia. Para Santos, o Copom deve manter a Selic em 13,75%, já que a inflação vêm se mostrando sob controle.

'Como grande parte das empresas já reduziram suas exposição em dólar e outras já fizeram estoques para o fim de ano, o comércio não deve sentir tanto o impacto da volatilidade do dólar', finaliza Santos.

No noticiário, os investidores foram surpreendidos pela queda mais rápida no nível de atividade do setor de serviços da zona do euro, o que chegou a puxar para baixo o preços das ações européias, ao mesmo tempo em que alimentaram as apostas quanto a um corte mais agressivo nas taxas básicas de juros pelo Banco Central Europeu, amanhã.

Em Nova York, as bolsas tiveram um dia instável e cediam, digerindo a informação de que se as montadoras não forem socorridas pelo governo sofrerão colapso até o fim do mês. Ontem, a Ford, General Motors e Chrysler apresentaram seus planos de negócios ao Congresso dos EUA, pedindo ajuda de US$ 34 bilhões. Por lá, as vendas de veículos mostram que o futuro das automobilísticas realmente está por um fio. Em novembro, a comercialização da General Motors caiu 41%, da Toyota 34% e da For 30,6%.

Somado a isso, os dados sobre o mercado de trabalho ajudou a deteriorar o humor dos investidores. Segundo pesquisa ADP Employment, o setor privado dos EUA empregou em novembro 250 mil pessoas a menos, a maior queda mensal em sete anos.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)