Investidor enxerga possibilidade de redução da Selic

SÃO PAULO, 3 de dezembro de 2008 - Após os dados da produção industrial e os últimos resultados dos índices de inflação, os agentes financeiros acentuaram as discussões sobre a possibilidade de queda da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para 9 e 10 deste mês. No entanto, a ala majoritária do mercado continua apostando na manutenção dos juros nos atuais 13,75% ao ano.

Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) cada vez mais refletem os movimentos domésticos e menos os temores da expectativa sinistra do futuro econômico mundial, ressalta os economistas da Gradual Investimentos. Hoje o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2010, o mais líquido, apontou taxa anual de 13,72%, ante 13,94% do ajuste anterior.

Ontem foi informado que a indústria brasileira produziu 1,7% menos em outubro se comparado com setembro. "Os dados foram negativos e reforçam as preocupações com a escassez no crédito, retração da demanda doméstica e queda de confiança", enfatiza um consultor de investimento. "Por outro lado, o dado aliado aos últimos indicadores de inflação que revelaram desaceleração fez crescer as expectativas de redução nos juros para a próxima reunião do Copom", completa.

"Vale lembrar que a queda das commodities diminui a pressão sobre os preços e o melhor é que o efeito do dólar sobre a inflação deve ser menor do que o esperado", ressalta outro profissional.

O dia hoje foi tranqüilo no mercado de renda fixa com os agentes aproveitando a ausência de novos indicadores econômicos e revendo suas estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro que será divulgado na sexta-feira. A expectativa do mercado é que fique em 0,53% em novembro, no entanto, alguns economistas mudaram suas estimativas para 0,40%.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)