IBovespa perde quase 2% com indicadores dos EUA

SÃO PAULO, 3 de dezembro de 2008 - As inúmeras notícias corporativas divulgadas hoje, aliada à divulgação de indicadores ruins da econômica norte-americana levam as principais praças acionárias mundiais a operarem em queda na primeira etapa dos negócios. A bolsa brasileira segue o movimento e, há pouco, apresentava desvalorização de 1,66%, aos 34.419 pontos. O giro financeiro estava em R$ 1,13 bilhão.

A quarta-feira começou com a Telecom Itália anunciando um plano que inclui a demissão de mais 4 mil funcionários na Itália no período 2009-2011. A empresa, que tem uma dívida de ? 35 bilhões (US$ 44 bilhões), havia anunciado um plano de corte de gastos em junho que previa o fim de 5.000 postos de trabalho na Península. Já a companhia hispânica aérea Ibéria, que negocia uma fusão com a britânica British Airways, deve cortar mil empregos entre seu pessoal de terra.

Neste mesmo sentido, a consultoria ADP informou que setor privado dos Estados Unidos fechou 250 mil postos de trabalho em novembro quando comparado com o mês anterior. Os números de outubro foram revisados para 179 mil vagas fechadas.

E as notícias ruins não pararam por aí. Os novos pedidos de empréstimos hipotecários nos Estados Unidos dispararam 112,1% na semana encerrada dia 28 de novembro, ante o mesmo período da semana anterior, já com ajustes sazonais realizados no período. O número passou de 404,4 mil para 857,7 mil pedidos. Quando comparado com o mesmo período da semana anterior e, sem ajuste sazonal, o índice sofreu decréscimo de 51,4%. Os investidores ainda aguardam a divulgação do Livro Bege, do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), programado para às 17h.

Na Europa, em meio às notícias diárias sobre a deterioração contínua da economia européia, os investidores esperam pelas decisões, na quinta-feira, do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE), para definir seus próximos passos. Há a expectativa de que as duas instituições reduzam suas taxas de juros, uma vez criadas as condições para tal: recessão e redução dos temores inflacionários.

Além disso, o setor automotivo continua preocupando. Ontem, após as montadoras divulgarem retração das vendas em novembro, a General Motors (GM), Ford e Chrysler pediram ao Congresso dos Estados Unidos uma ajuda de US$ 34 bilhões para sua sobrevivência, em uma ampla reestruturação da indústria automotiva norte-americana em tempos de crise. A expectativa pelo pacote reduz a pressão vendedora sobre os ativos de risco.

(Vanessa Correia - InvestNews)