BC intervém e reduz pressão sobre o dólar

SÃO PAULO, 3 de dezembro de 2008 - O Banco Central (BC) brasileiro interveio por duas vezes no mercado de câmbio à vista, e conseguiu arrefecer a pressão sobre o dólar. A moeda estrangeira chegou a subir mais de 2% na máxima do dia, mas há pouco avançava apenas 0,13%, para R$ 2,390 na compra e R$ 2,295 na venda.

A autoridade monetária também realizou novo leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, combinado com compromisso de repasse dos recursos em linhas de Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) - instrumentos utilizados para financiar exportações.

Os sinais de que a recessão mundial será maior e mais profunda, reforçados pelos os últimos indicadores sobre atividade industrial nos Estados Unidos, China, Zona do euro, Alemanha e Reino Unido, apesar das inúmeras medidas governamentais, pressionam o mercado financeiro global. As bolsas européias e os índices norte-americanos operam com perdas.

Em meio a uma série de notícias ruins, o dia é difícil e volátil. O lucro da Infineon, segunda maior fabricante européia de semicondutores caiu no terceiro trimestre, à confiança do consumidor no Reino Unido despencou e as pessoas beneficiadas pelo seguro-desemprego aumentaram. Além disso, a atividade no setor de serviços caiu mais do que o esperado em novembro, atingindo o menor patamar em pelo menos dez anos. Segundo analistas, esse indicador aumenta a pressão para que o Banco Central Europeu (BCE) corte a taxa de juro da zona do euro em mais de 0,50 ponto percentual na reunião que acontece amanhã.

Os investidores seguem atentos também ao setor automobilístico, diante das incertezas quanto a uma ajuda do governo norte-americano às grandes montadoras do país, que, após apresentarem seus planos de viabilidade ao Congresso na última terça-feira, agora clamam por um pacote de ao menos US$ 15 bilhões para manterem suas atividades.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)