Setor deve favorecer impactos da crise no País

SALVADOR (BA), 2 de dezembro de 2008 - O mundo vive uma expectativa em relação aos problemas econômicos e ninguém arrisca dizer qual o tamanho e os rumos da crise de crédito. No entanto, a agropecuária pode ser uma das formas de o Brasil driblar a crise mundial.

"As pessoas podem parar de comprar carro, mas ninguém para de se alimentar. Quem trabalhar com a produção de alimentos vai se dar bem. Os preços podem cair, mas haverá demanda", diz Jaime Fernandes Filho, presidente da Associação Baiana dos Criadores (Abac).

A primeira conseqüência da crise econômica é o enxugamento do crédito. Mas Fernandes Filho conta que a pecuária não sofre com a redução dos financiamentos. "A pecuária não vive de crédito. Quem vive de crédito é a agricultura".

O presidente da Abac afirma que o produtor se acostumou a trabalhar sem crédito, já que os financiamentos para a pecuária são muito pequenos. "Com os juros caros, as linhas de financiamento não são um bom negócio", afirma.

Já o presidente do Conselho da Fundação de Apoio a Pecuária do Estado da Bahia (Fundap), Gilberto Bastos, acredita que a crise só afetará o setor no fim de 2009. "Com a chegada do Natal e do 13º salário, a demanda ficará aquecida". Bastos diz também que o País está protegido, já que possui reservas de dólar e os bancos não "quebraram" em outros países.

Para ele, o crédito é caro e protegido e os juros são altos. "É uma forma de controlar a inflação, mas também inibe o crescimento". Por outro lado, Bastos acredita que a agropecuária também pode favorecer o País nesse período de turbulência econômica. "O Brasil produz o combustível da vida. E agora também combustível para automóveis com o etanol", acrescentou.

(Sérgio Toledo - InvestNews)