Crise força procura por novos mercados de carne

SALVADOR (BA), 2 de dezembro de 2008 - O setor de carnes já sente os impactos da crise econômica. Em um primeiro momento, a menor demanda dos países importadores pode aumentar a oferta interna de carnes (bovina, suína e de frango). A Rússia, maior comprador de carne bovina e suína brasileira, renegociou entre 80 e 90 mil toneladas de carne bovina em outubro.

De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), essa situação deve ser estendida, já que com a escassez de capital no mundo, as negociações internacionais deverão diminuir em valores e em quantidade.

´As vendas para a Rússia caíram muito´, diz o presidente da Associação Baiana dos Criadores (Abac), Jaime Fernandes Filho. Ele lembra que apesar da valorização do dólar frente ao real, a queda no consumo dos importadores não impulsiona as vendas.

O estudo do Cepea aponta que restam duas alternativas aos frigoríficos brasileiros: a abertura de novos mercados e o aumento do consumo interno. Mas o mercado projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 para 3,5%, menor do que nos últimos anos, o que desanima expectativas de aumento de consumo no Brasil.

E um mercado muito desejado pelo produtor brasileiro, mas ainda pouco explorado, é o dos Estados Unidos. Para o presidente do Fundo de Apoio a Pecuária do Estado da Bahia (Fundap), Gilberto Bastos, falta oferta e qualidade para a carne brasileira. ´O Brasil não tem condição de oferta e a qualidade é o passaporte. A Europa e os Estados Unidos querem nossa carne.´

(Sérgio Toledo - InvestNews)