Consumo pode estar diminuindo, avalia economista

SÃO PAULO, 2 de dezembro de 2008 - A inflação começa a chamar a atenção, merecendo um monitoramento nas próximas semana. Embora ainda seja cedo dizer que os efeitos da crise financeira internacional estejam "batendo" na demanda, já há alguns sinais de mundança do comportamento do consumidor. A análise foi feita pelo economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, diante do resultado do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), que registrou alta de 0,39% em novembro, uma redução de 0,11 ponto percentual em relação a outubro.

"A desacelerção foi maior do que estava previsto pelo mercado, principalmente se considerar as despesas com alimentos e habitação", disse.

Em novembro, o IPC/Fipe apontou alta de 0,60% no grupo Alimentação e de 0,33% em Habitação, abaixo da inflação apurada em outubro: 0,37% e 0,76%, respectivamente. O comportamento foi influenciado por a variação de subgrupos como alimentos semi-elaborados (de 0,74% para -0,21%), puxados por carnes bovinas (3,35% para 2,15%) e aves (-1,25% para -1,99%). Além do fim da pressão do reajuste da tarifa de água e esgoto e da queda nos preços de aluguéis (0,51% para 0,39%) e da taxa de luz (0,06% para -0,32%).

No entanto, o economista destaca como um sinal de redução do consumo a queda das taxas de vestuário e saúde, que podem sinalizar alguma retração da demanda por produtos de consumo. "Surpreendeu um pouco a magnitutude, o que podem indicar uma mundança no comportamento do consumidor", disse. O grupo Vestuário caiu de 0,60% para 0,39%, enquanto Saúde passou de 0,63% para 0,31%.

O IPC da Fipe mede a inflação na capital paulista.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)