Compras pressionam e dólar sobe mais de 4%

SÃO PAULO, 2 de dezembro de 2008 - A confirmação de que os Estados Unidos estão em recessão traz certo nervosismo aos negócios, mas o que pressiona mesmo o câmbio são operações no mercado de derivativos. O dólar, após cair 0,56% na mínima do dia, inverteu tendência e terminou o período manhã em acentuada alta de 4,14%, a R$ 2,415 na venda.

Segundo um especialista, não há operações de saída e a forte alta do dólar é explicada pelas compras desenfreada de investidores para cobrir posições vendidas. No dia a dia, o analista da corretora Liquidez, Mário Paiva, avalia que há sinais de que a demanda por dólares está diminuindo. "No ápice da crise, em outubro, a procura era grande, já se sentiu um pequeno alívio ao longo de novembro e caminha para a estabilidade", comentou. Segundo Paiva, entretanto, o câmbio deve seguir em tendência de alta moderada até o fim do mês, oscilando entre R$ 2,20 a R$ 2,50, em meio a novas saídas neste final de ano, época de remessa de lucros e dividendos.

Apesar dos índices futuros de Nova York apontar para cima, prevalece as preocupações com a saúde financeira e econômica no mundo. Ontem, o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA (NBER) confirmou que os EUA estão em recessão há um ano. Em resposta à pesquisa, o presidente do Fed, Ben Bernanke, afirmou que poderá utilizar políticas menos convencionais para prover liquidez ao sistema financeiro, como a compra de títulos do Tesouro e ou até mesmo a ampliação do plano de resgate à economia de US$ 700 bilhões. Em Wall Street, Dow Jones subia 0,34% e o índice eletrônico Nasdaq 0,62%.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)