Bolsa cai pelo 6º mês com destaque para Gafisa

SÃO PAULO, 2 de dezembro de 2008 - Depois de cinco meses consecutivos de forte desvalorização para o Ibovespa, o mês de novembro seguiu a mesma direção, porém com menos intensidade. A queda da bolsa brasileira foi de apenas 1,77%. "Se as ações da Petrobras não tivessem recuado quase 3% na última quinta-feira, em resposta ao empréstimo de R$ 2 bilhões solicitado à Caixa, o Ibovespa não teria registrado queda em novembro", afirmou Clodoir Vieira, economista-chefe da Corretora Souza Barros.

Dentre os destaques de queda, os papéis ordinários da Gafisa lideraram as perdas do Ibovespa, com recuo de 42,6% no mês. Na opinião de agentes de mercado, o setor de construção já reflete os sinais da crise financeira global. "Muitas companhias revisaram suas previsões de VGV [valor geral de vendas], refletindo no movimento dos papéis", lembra José Manuel, analista de mercado da Um Investimentos.

Dentre as ações que compõem o Ibovespa, outras duas companhias registraram perdas significativas em sua rentabilidade no mês de novembro: Cyrela Realty ON, com desvalorização de 26,04%; e Rossi ON, com queda de 22%, segundo dados da Lafis Consultoria. "A queda nas vendas já começa a ser sentida pelo mercado. Além disso, os bancos estão sendo mais criteriosos na concessão de crédito, o que também afeta o setor", disse o economista-chefe da Corretora Souza Barros.

Na outra ponta, as ações ordinárias da Nossa Caixa dispararam quase 100% em novembro - 96,59% - reagindo à negociação e, posterior confirmação, da compra da instituição financeira pelo Banco do Brasil. As negociações duraram seis meses, já que o BB divulgou, através de fato relevante, sua intenção em maio deste ano.

"O negócio foi positivo, principalmente para o Governo do Estado de São Paulo. Em contrapartida, os papéis ordinários do Banco do Brasil - que recuaram 2,25% no mês - reagiram ao preço pago pela Nossa Caixa (R$ 7,56 bilhões) - considerado caro", afirmou Vieira.

(Vanessa Correia - InvestNews)