Perspectiva piora, mas aposta é de manutenção do juro

SÃO PAULO, 12 de novembro de 2008 - A influência do dólar mais caro, aliado à manutenção de um nível melhor da renda do brasileiro, o que deveria manter a demanda aquecida, é o principal motivo para o mercado financeiro aumentar a perspectiva de inflação ao final deste ano. De acordo com sondagem realizada pelo Banco Central (BC), os analistas voltaram a elevar a previsão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 6,4% em 2008. A taxa está bem próxima ao teto da meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 6,5% para este e o próximo ano.

Segundo, o sócio-diretor da Tendências Consultoria, Nathan Blanche, a estimativa negativa se deve a avaliação de alguns indicadores que começam a mostrar uma redução do consumo, o que deveria reduzir os preços, que continuam subindo por conta da pressão cambial. "A inflação aleija. O dólar mata", afirma.

A equipe da LCA Consultores avalia que as expectativas de inflação voltaram a piorar de maneira aguda nas últimas semanas - em resposta à expressiva revisão, esta para cima, que os analistas têm promovido nas suas projeções para a evolução da cotação cambial.

Aliás, diante desse cenário, os consultores apostam que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode voltar a elevar a taxa básica de juros Selic, após manter a meta em 13,75% ao ano na última reunião - em 29 de outubro -, já que a ata do encontro indica que a decisão de manter a Selic inalterada seria uma parada técnica para possibilitar uma melhor avaliação dos efeitos (ainda contraditórios) da crise externa.

No entanto, para Nathan Blanche seria "muita ousadia" apostar na próxima decisão do colegiado. "É prudente fazer uma parada técnica nos juros, mas ainda é cedo para avaliar qual o próximo rumo, já que os indicadores que temos são defazados. Muitos referem-se a setembro, quando ouve a intensificação da crise. Ainda não sabemos qual foi o efeito, de fato, em outubro e novembro", disse.

O Copom fará sua última reunião deste ano nos dia 9 e 10 de dezembro. A expectativa do mercado é que o colegiado opte por pela manutenção da Selic novamente.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)