Oi quer mais um ano para pagar licenças de 3G

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RIO - Diante do receio de que a crise mundial afete a capacidade de investimento, a Oi solicitou ao governo federal a prorrogação por um ano do prazo de pagamento da licença de terceira geração de telefonia móvel (3G) ou o parcelamento do passivo em seis anos, afirmou o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco.

Cerca de 10 por cento do valor da licença foi pago no ato de assinatura da compra das frequências, em abril deste ano, e o restante deve ser feito em 10 de dezembro desse ano.

Como as empresas podem optar por pagar o total restante ou usar o financiamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Falco calculou que esse passivo seria de aproximadamente 700 milhões de reais.

O medo da operadora, como afirmou o executivo a jornalistas, é se descapitalizar em um momento de escassez de crédito e de encurtamento de prazos de financiamento por conta da crise internacional.

- Acho que isso é bom para o Brasil. A crise que passamos é de curto prazo, mas cria uma falta de liquidez. Os governos têm ajudado várias indústrias dando liquidez- disse Falco, após participar de um seminário no Rio.

Ele lembrou que o próprio governo brasileiro já anunciou incentivo para alguns setores como bancos e montadoras, beneficiados pela liberação de recursos do compulsório bancário.

- Nossa indústria responde por 6 por cento do PIB e 10 por cento do investimento nacional. O que estamos dizendo é o seguinte: por enquanto não reduzimos investimento, eventualmente vamos ter que reduzir por falta de liquidez, e parece de bom tom não passar por isso. Não queremos benefício, queremos liquidez por um ano- adicionou Falco.

Ele frisou que quer mais um ano de fôlego para definir se paga à vista o passivo ou se parcela por mais 12 meses.

SÓ A CLARO PAGOU À VISTA

Falco informou que a dívida de todas as operadoras com o governo nas licenças de 3G é de aproximadamente 3,5 bilhões de reais, sendo que a concorrente Claro foi a única que já fez o pagamento à vista, de 1,4 bilhão de reais.

O presidente da Oi, no entanto, acredita que a Claro não deveria receber nenhuma compensação, caso o governo dê um folga para as demais operadoras.

- Você toma medidas de política pública de acordo com a situação. Quando uma operadora paga à vista ela pode ter tido benefícios. Essa operadora multinacional fechou a operação com um câmbio a 1,60 reais- alfinetou o executivo.

- Não acho que o fato de a maioria querer e uma ou duas não quererem deveria contaminar o assunto- acrescentou.

Segundo Falco, o tema já foi levado pela Acel (associação das operadoras de celular) à Anatel, ao BNDES e ao Ministério das Comunicações.

O próximo passo seria uma conversa com o Ministério da Fazenda.

- Não queremos ser espertos ou dar um pernada em alguém. Agora é um decisão política. É uma decisão que vai subir e até agora não recebemos um 'não'- afirmou.