Comércio popular se anima mais com ação da Caixa

SÃO PAULO, 12 de novembro de 2008 - O varejo de materiais para construção está animado com a ampliação do limite de financiamento anunciado pela Caixa Econômica Federal para quem vai construir ou reformar. Segundo o presidente da Dicico, Dimitrios Markakis, essa linha de crédito atinge principalmente os consumidores que desejam reformar a casa, o que deve impactar positivamente as vendas da rede. "Cerca de 61% das nossas vendas é para reforma e os outros 29% para construção, ou seja, esse aumento de crédito vai ser muito importante para o nosso negócio", avalia.

A Caixa Econômica Federal ampliou o acesso à linha de crédito Construcard, para aquisição de material de construção. O limite de financiamento passou de R$ 7 mil para até R$ 25 mil. O empréstimo tem juros de 6% a 8,16% ao ano, de acordo com a faixa de renda do tomador. Atualmente, o limite de renda para este produto é de R$ 1,9 mil.

Dimitrios Markakis acredita que sua rede será mais beneficiada que algumas concorrentes, pois ele ataca diretamentente a população de baixa renda. "Esse financiamento é voltado para famílias com renda abaixo de R$ 2 mil. É a cara da classe média, que é a nossa cara", se anima.

O executivo revela que a Dicico ainda não percebeu reflexos queda na confiança do consumidor brasileiro, que foi afetada pelo noticiário sobre a crise financeira mundial. "A classe A está sendo mais prejudicada, pois é um grupo mais seleto que tinha investimentos e aplicação em bolsa de valores. Esse grupo não é nosso foco. Nosso cliente tem outro perfil", explica ele, lembrando que a maior parte das 40 lojas estão localizadas em regiões periféricas.

Do outro lado, mais dirigida para as classes A e B, a C&C Casa e Construção não revela o volume de vendas, mas de acordo com o diretor de marketing, Mauro Florio, o faturamento continua dentro do projetado pela empresa. Para Florio, a iniciativa da Caixa vai incentivar o consumo, fazendo com que o comércio de material para construção "gire mais rapidamente as mercadorias". "Não sentimos uma redução, mas certamente a iniciativa vai evitar que as vendas caiam junto com a confiança do consumidor", disse.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)