Preocupação com economia real leva dólar a R$ 2,20

SÃO PAULO, 11 de novembro de 2008 - Os resultados trimestrais negativos de empresas, principalmente nos Estados Unidos, somados a queda no preço das commodities, afetam os negócios na Europa e provocaram fortes baixas na Ásia. Por aqui, não poderia ser diferente. Nos EUA, não há divulgação de indicadores econômicos por conta do feriado do Dia do Veterano, embora o mercado de ações funcione normalmente.

Dados recentes não deixam dúvida de que a economia norte-americana mergulha na recessão. Segundo relatório da Sul America Investimentos, os números do Índice dos gerentes de compras (ISM) e o relatório do mercado de trabalho, ambos de outubro, evidenciam isso. O ISM do setor industrial situou-se no patamar mais baixo desde o início dos anos 90. Já os empresários têm efetuado incisiva correção na produção e emprego, visando a se ajustar a forte queda percebida na demanda, tanto externa como interna.

O relatório da Sul Americana também avalia que as atuações do Banco Central (BC) no mercado de câmbio, em especial a venda de swap, devem continuar apresentando efeitos positivos para o real. "Mas o mercado deve se manter volátil, operando no range de R$ 2 a R$ 2,20", projeta. Hoje, a autoridade monetária oferta até 10 mil contratos de swap cambial com vencimento em 2 de fevereiro de 2009.

Além do clima de incertezas no mercado internacional, o posicionamento dos investidores no mercado de derivativos da BM&FBovespa, comprados em mais de US$ 12 bilhões nos últimos dias, também pressiona o câmbio. Isto porque "estar comprado" significa apostar na alta futura do dólar.Há pouco, a divisa norte-americana subia 1,05%, para R$ 2,204 na compra e R$ 2,206 na venda.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)