Noticiário corporativo nos Estados Unidos afeta Ásia

SÃO PAULO, 11 de novembro de 2008 - As bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça-feira, afetadas por notícias negativas envolvendo o cenário corporativo nos Estados Unidos. A divulgação de resultados abaixo do esperado alteraram o apetite dos investidores, até então otimistas com o plano de estímulo à economia da China. A desvalorização do dólar no mercado de divisas internacional e os recuos nos preços do petróleo também colaboraram com as perdas nas sessões.

Entre os principais índices asiáticos, o Nikkei 225 de Tóquio perdeu 2,99%, para 8.809,30 pontos. O Kospi de Seul recuou 2,05%, para 1.128,73 pontos. Em Hong Kong, o indicador referencial Hang Seng apresentou queda de 4,77%, para 14.040,90 pontos. Já na China, o índice Xangai Composto caiu 1,66%, para 1.843,61 pontos.

Os investidores asiáticos - que ontem aproveitaram o dia para comprar ações, impulsionados pelo pacote chinês de 4 trilhões de iuanes (US$ 586 bilhões) para estimular a quarta maior economia do mundo - reagiram hoje negativamente aos resultados corporativos nos EUA.

Ontem, a seguradora norte-americana AIG e a gigante do setor hipotecário Fannie Mae anunciaram prejuízos bilionários. A Circuit City - segunda maior cadeia de lojas de produtos eletrônicos dos EUA - entrou com pedido de falência, enquanto a General Motors teve o preço alvo de suas ações rebaixado a zero.

Na Europa, o HSBC, maior banco europeu, anunciou perdas de mais de US$ 4 bilhões, enquanto a alemã Deutsche Post informou que demitirá 9,5 mil postos de trabalho nos EUA. As notícias provocaram desconforto entre os investidores e fizeram ressurgir as preocupações com o futuro da economia mundial.

Em Tóquio, o mercado acompanhou a informação de que o número de falências corporativas cresceu 13,4% em outubro. Dados do Ministério das Finanças do Japão também mostraram que os investidores estrangeiros venderam um valor sem precedentes de ações e obrigações nas bolsas locais em outubro. O total destas vendas, de 3,981 trilhões de ienes (US$ 39,448 bilhões), é o mais alto da história japonesa.

Para piorar, a desvalorização do dólar no mercado de divisas de Tóquio colaborou para as perdas na sessão nipônica. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a 98,00 ienes, em comparação aos 99,00 ienes observados no encerramento do dia anterior. Os papéis de empresas exportadoras, como Canon, Sony, Honda e Mazda, por exemplo, caíram 8,43%, 2,77%, 5,29% e 3,06%, respectivamente.

Nos mercados de commodities, a desvalorização nos preços do petróleo também provocou a venda de títulos das companhias de energia. Há instantes, os futuros do barril operavam com queda de 2,77%, negociados a US$ 60,68 na Bolsa de Mercadorias de Nova York (NYMEX, sigla em inglês).

Entre as petrolíferas na Ásia, as ações da japonesa Inpex caíram 8,49%, afetadas também pela notícia de que a empresa reduziu em 15,2% sua previsão de lucro líquido para o atual ano fiscal. Já os papéis da australiana Woodside Petroleum recuaram 2,94%.

(Marcel Salim - InvestNews)