Lide: empresários apostam na comunicação contra a crise

Portal Terra

SÃO PAULO - Executivos defenderam, nesta terça-feira, em São Paulo, a comunicação como principal instrumento para enfrentar a crise. Na exposição do painel "O Papel da comunicação para vencer a crise e fortalecer o mercado", durante evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, ressaltou a importância da publicidade para tranqüilizar os clientes.

- Se todo mundo só falar de crise, o cliente fica medroso. É preciso comunicá-lo de que a crise é séria, mas que as pessoas precisam continuar consumindo- disse a executiva.

- A crise é grave, mas não devemos ter pânico, precisamos continuar investindo principalmente em publicidade para alcançarmos bons resultados- afirmou Luiza.

Ela contou que, na última semana, o magazine registrou um dos piores dias de vendas no varejo da sua história.

- O excesso de cautela pode levar clientes a experimentar o produto do concorrente- declarou.

Para compensar as perdas, o grupo criou uma promoção para pessoas que fizeram mais de sete compras acima de R$ 1,5 mil no ano, chamado "Dia do Cliente Ouro". As lojas do interior da rede abriram as portas no domingo, quando geralmente permanecem fechadas, e realizaram ofertas específicas para essas pessoas.

Com o movimento do dia, Luiza Helena afirmou que as vendas atingiram a marca de R$ 10 milhões, o que neutralizou a semana fraca.

Outro expositor, Paulo Castro, presidente do Terra, defendeu o papel da Internet como principal meio para anunciantes, já que no Brasil são estimados cerca de 50 milhões de usuários.

Castro lembrou que o mercado de Internet sofreu no começo da década com o estouro da bolha, mas atualmente mantém o planejamento estratégico.

- A situação é grave, o mercado está mais maduro e isso ajuda as empresas a se posicionarem melhor- afirmou.

Luíz Carlos Dutra, vice-presidente da Unilever, vê a crise como uma boa oportunidade para empresas reverem seus planejamentos.

- Quem investe sai melhor da crise. Houve momentos em que o País passou por uma grande retração na economia, como em 1981, quando o PIB foi 4% negativo, e mesmo assim grandes empresas conseguiram crescer. Em outras situação, de expansão, houve empresas que quebraram- disse.

Para Ivan Zurita, presidente da Nestlé, o Brasil ainda representa um bom mercado após o período de turbulência da crise, e é onde a empresa pretende direcionar seus investimentos maciços fora da sede da companhia.

- O País tem um bom potencial para crescer, e deve sair da crise melhor que outros, principalmente os mais desenvolvidos- afirmou Zurita.