Investidores mostram cautela nos negócios

SÃO PAULO, 11 de novembro de 2008 - As negociações no mercado de juros futuros hoje refletiram, em parte, as expectativas de que o colegiado do Banco Central (BC) não tem como subir a taxa de juros neste momento e diante das incertezas em torno da inflação e da atividade econômica brasileira a cautela prevalece nos negócios. Depois de abrir o pregão sem direção única, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de longo prazo negociados na BM&FBovespa fecharam sinalizando queda e estabilidade no curto prazo. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, apontou taxa anual de 15,19%, ante 15,20% do ajuste anterior. Janeiro de 2012 caiu de 16,32% para 16,20% ao ano.

O economista da M2 Investimentos, Luiz Gustavo Medina, ressalta que é pouco provável que o BC eleve a taxa Selic, atualmente 13,75% ao ano, nos próximos meses, mesmo com a inflação acelerando e o dólar subindo, pois, a economia global vem desacelerando e isso terá reflexos na inflação no futuro.

O gestor da Vetorial Asset Management, Sergio Machado, disse que a cautela deve prevalecer no mercado, decorrente dos desdobramentos da crise mundial que só agora aporta com mais virulência na economia. "É que a histeria que rondou o mercado nas últimas semanas parece ter perdido o ímpeto, entretanto a volatilidade e sobressaltos ainda farão parte de nosso dia a dia", enfatiza.

"É vital que acompanhemos de perto os efetivos impactos na economia real, uma vez que os efeitos externos só agora começam a mostrar sua face mais negra na atividade interna, capitaneada pelo crédito extremamente caro e escasso como efeitos prejudiciais de um desarranjo nos preços relativos pelo descontrole da moeda", completa Machado.

Internamente, a inflação prevalece pautando os negócios no mercado de renda fixa. Pela manhã, foi divulgado que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) acelerou para 0,57% na primeira quadrissemana de novembro. O resultado ficou perto do teto das estimativas dos analistas que estimavam inflação de 0,48% a 0,58%, com mediana de 0,54%.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)