Índice muda tendência no fim do dia e sobe 1,32%

SÃO PAULO, 11 de novembro de 2008 - A redução das perdas em Wall Street, aliada a valorização dos papéis brasileiros atrelados às commodities, levou a bolsa brasileira a inverter a tendência de queda apresentada durante quase toda a sessão e a encerrar os negócios em alta de 1,32%, aos 37.261 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 3,35 bilhões.

"Rumores de mercado apontam que o governo norte-americano estaria estudando um plano de socorro às montadoras da região. Isso seria bastante positivo uma vez que, além do setor ser um grande gerador de empregos, também envolve outro segmento importante da economia mundial, como o siderúrgico", afirma Nicholas Barbarisi, sócio e diretor de operações da Hera Investment.

A notícia inverteu o movimento de queda dos papéis da Gerdau e Vale, por exemplo. Enquanto as ações preferenciais da Gerdau subiram 6,29%, os papéis preferenciais série A da Vale avançaram 1,22%. As ações da mineradora brasileira também repercutiram notícia de que a companhia aceitou os ajustes de volumes [previstos em contrato] em função da necessidade efetiva dos seus clientes. "Com relação aos preços do minério de ferro, a Vale continua praticando os preços acertados para o ano contratual iniciado em 1/4/2008. A Vale não está renegociando e/ou concedendo qualquer tipo de desconto relativamente aos preços contratuais vigentes".

A forte valorização dos papéis ordinários da BM&FBovespa (+5,38%) também contribuiu com o avanço da bolsa brasileira. A companhia anunciará seus resultados trimestrais hoje, após encerramento dos negócios.

"Os investidores continuam em busca de ativos que estejam depreciados, mas sempre analisando os fundamentos da empresa. Porém, ainda há muita volatilidade, com volume de negócios muito baixo", completa o sócio e diretor de operações da Hera Investment.

Vale lembrar que o mau humor externo, responsável pela queda das bolsas mundiais durante quase toda a sessão, veio do noticiário corporativo. As preocupações com a saúde financeira da General Mortors (GM), a falência da varejista de eletrônicos Circuit City e a demissão de quase 10 mil funcionários pela DHL trouxeram a tona o temor de que a crise financeira deve se alastrar para a economia real.

"O desemprego também tem adiado o consumo, afetando toda a cadeia produtiva. É certo que se encontrará um rumo para salvar o setor automotivo norte-americano e sua dispersão por outros segmentos da economia, mas os efeitos já estão batendo à porta" afirma Patrícia Branco, sócia-gestora da Global Equity.

(Vanessa Correia - InvestNews)