Gerdau: governo gasta como se não houvesse crise

Portal Terra

SÃO PAULO - O presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, afirmou, nesta terça-feira, em São Paulo, que o governo brasileiro continua gastando como se não houvesse a crise financeira internacional. Segundo ele, é necessário um ajuste nas contas públicas para reduzir despesas. O empresário fez as declarações em palestra no seminário "Atitudes Positivas para Enfrentar a Crise", realizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

- 60% do PIB (Produto Interno Grupo) é do setor privado e 40% do governo e eu tenho uma visão muito crítica nesse sentido. O setor público continua agindo como se não houvesse crise, enquanto o setor privado trabalha para se ajustar à crise e diminuir custos. Dinheiro tem que ser poupado e não posso aceitar esse tipo de realidade. Faço essa observação porque a nação é uma só. Temos que raciocinar globalmente- afirmou ele.

- O dinheiro tem que se poupar e se sobrar dinheiro tem que se baixar impostos. Não pode o equivalente a 40% do PIB continuar agindo nessa maneira- completou.

Apesar da ressalva quanto a atitude governamental, Gerdau afirmou que é importante a manutenção dos investimentos programados no País, tanto por parte do setor público quando pelo privado. Ele não descartou a gravidade da situação vivenciada atualmente.

- Ninguém de nós havia vivido algo semelhante (como essa crise). Isto aqui é uma crise financeira. Sendo assim, tem a característica de não deixar ninguém escapar. O que aconteceu no sistema foi uma verdadeira loucura de alavancagem. Essa crise faz com que tenhamos de ajustar a economia a essa nova realidade (de pós crise)- explicou o empresário.

Mesmo com a contaminação da crise no País, Gerdau destacou que o Brasil está em situação melhor em relação aos demais países.

- Mas, quem tem mais liquidez é assaltado em primeiro lugar. As filiais brasileiras (de grandes multinacionais) estão melhores do que em outros países- disse, se referindo ao aumento das remessas de lucros por parte destas empresas às suas matrizes.

Em sua exposição no seminário, o empresário brincou com o próprio conceito de crise.

- Eu gosto de crise. E normalmente consigo sair melhor do que entrei nelas- disse.

Citando a crise do setor energético, ocorrida em 2001, ele afirmou que conseguiu economizar energia e ainda manter sua produção quase no mesmo patamar.

- Só a crise me faz trabalhar direito- completou.

No debate da palestra de Gerdau, o presidente da Nestlé no Brasil, Ivan Zurita, afirmou que País vai ser priorizado pela multinacional suíça quando a crise financeira passar.

- A Nestlé vai priorizar o Brasil depois da crise- afirmou ele.